29/07/2010 - 06h00

A nova loja da Maria Brigadeiro

  

Estou pra falar disso há semanas... Foi passando, passando e só agora me lembrei de mostrar aqui a loja que a Maria Brigadeiro abriu há alguns meses em São Paulo. Ano passado, eu já tinha ido conhecer o ateliê da Juliana Motter, onde a doceira que faz os brigadeiros mais famosos do Brasil atendia com hora marcada. Contei nesse post aqui, lembram? Pois bem. Não é mais preciso agendar um horário pra ir visitar a Maria Brigadeiro, que agora tem loja própria, de portas abertas pra rua Capote Valente, no bairro de Pinheiros. E que coisa linda é a lojinha. Portas com moldura pintada em azul bebê, paredes cobertas de papel florido, chão de ladrilhos hidráulicos, cozinha aparente. E, por todos os cantos, a nos tirar do sério, os brigadeiros. Muitos brigadeiros.

  

Confesso que os que provei agora me deixaram a mesma impressão que tive na vez anterior: perfumados e gostosos, mas menos macios, sedosos e amanteigados que o ideal. Uma amiga que é chef patissière esteve me explicando que, quando feitos com chocolate em barra, acabam ficando um pouco diferentes do que se espera de um brigadeiro. E o que se espera de um brigadeiro? Que derreta na boca. Ao menos, é o que eu espero. E isso eu encontrei na versão do brigadeiro de colher, este sim, perfeito. Como me arrependi de ter trazido um potinho só...

Antes de sair da loja, parei pra ler a frase no alto da parede da cozinha: “A vida é curta. Comece pela sobremesa”. Pra mim, que sempre leio os cardápios dos restaurantes de trás pra frente, faz todo sentido.


Maria Brigadeiro – Rua Capote Valente 68 – Pinheiros
www.mariabrigadeiro.com.br

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26/07/2010 - 06h00

Gruta de Santo Antônio: os famosos bacalhaus de Dona Henriqueta

Dia desses, estava em Niterói e aproveitei pra ir conhecer a Gruta de Santo Antônio, famoso restaurante de Dona Henriqueta Henriques, portuguesa e cozinheira de mão cheia. A casa integra a Associação da Boa Lembrança e faz muito carioca – entre eles, alguns dos mais importantes chefs da cidade – atravessar a ponte atrás da tradição de seus bacalhaus.

Trata-se de um lugar muito simples. Quem se dirige ao restaurante de Dona Henriqueta não está em busca de ambiente ou serviço, mas unicamente da qualidade do que sai de seus fogões. Ainda assim, a TV que permanece ligada o tempo todo num dos salões poderia – aliás, acho que deveria – ser dispensada, poupando os clientes das agruras de almoçar na companhia de algum programa de qualidade duvidosa... Enquanto isso não acontece, o segredo de um almoço em paz é rezar a Santo Antônio pra conseguir uma mesa no salão sem TV. Ao menos naquele domingo, o santo que dá nome à casa atendeu minhas orações...

Começamos com um delicioso polvo na brasa, que veio tenro e saboroso, com gostinho de carvão. E bolinhos de bacalhau moldados na colher, que estão entre as frituras mais perfeitas que experimentei ultimamente. Sequinhos e dourados, douradíssimos.

  

Em seguida, fomos de Bacalhau à Lagareira, prato que eu adoro e que, pra mim, é uma ode à simplicidade. Ao melhor da simplicidade. O lombo assado com azeite, cebolas e alhos até os perfumes e sabores se misturarem de forma irresistível. Apenas isso, nada mais. Acompanhando, prosaicas batatas ao murro, que cumprem o papel de complementar sem tirar o brilho do bacalhau.

A grande decepção ficou por conta das sobremesas. Eu que sou fã incondicional da doçaria portuguesa (como já contei aqui nesse post) e que estava ávida por um pastel de Belém quentinho e crocante, um delicioso Dom Rodrigo ou ovos moles amarelinhos e cremosos, tive a frustração de descobrir que os doces da casa não são feitos lá, mas terceirizados. Ainda triste, arrisquei experimentar apenas pra constatar o que já esperava: doces dispensáveis, ordinários mesmo. Uma pena. Digo mais: um pecado. Da próxima vez, passo sem essa.


Gruta de Santo Antônio – Rua Silva Jardim 148 – Ponta da Areia – Niterói
www.grutadesantoantonio.com.br

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22/07/2010 - 06h00

Sobre o chá da tarde do Copacabana Palace

  

Adoro rituais. O do chá da tarde é um dos meus favoritos. Gosto da prata, da louça, das velas e flores na mesa. E do vai e vem dos garçons trazendo a habitual sucessão de delícias que saem dos fornos sob medida pra nos aquecer a alma. Num desses dias atípicos de chuva insistente e vento frio que andaram cercando o Rio de Janeiro, não poderia haver programa melhor. O clima São Pedro providenciou. O resto deixei por conta da tradição e do glamour do Copacabana Palace. Mas... Meu chá da tarde no Copa não foi tudo o que se espera de um chá da tarde... no Copa.

  

Começamos com empadinhas de queijo e uns folheados que, particularmente, achei bem sem graça. Em seguida, sanduichinhos (de pepino, de salmão e de queijo com presunto, este último num mini croissant) igualmente inexpressivos.

  

Assim se encerrou o curso de salgados e se iniciou uma interminável sucessão de doces. Olha que ainda não conheci doçólatra mais inveterada do que eu, mas, até pra mim, foi doce de mais. Ainda que estivessem todos incríveis (e não estavam...), acho que poderia ser mais equilibrado o cardápio.

O chocolate quente era até gostoso, mas ralo, muito ralo. As viennoiseries, estas sim, vieram sem erro. Pain au chocolat sequinho e crocante. Um pãozinho de coco, também de massa folhada, delicioso.

  

Em seguida, ótimos scones, que não deviam muito aos bons exemplares ingleses. E tarteletes que em nada se pareciam com as melhores tarteletes francesas. E, ainda, um bom mil folhas e um brownie que não era macio nem úmido como deveria.

  

Por fim, uma mousse de chocolate e um suposto crumble de maçã, ambos dispensáveis.

  

No balanço geral, o chá é razoável. O problema é que se espera mais do que isso de um chá da tarde num lugar com a grife do Copacabana Palace. Expectativa que o preço de R$80,00 + 10% por pessoa trata de inflar bastante...


Restaurante Pérgula/Copacabana Palace – Av. Atlântica 1702 – Copacabana
www.copacabanapalace.com.br

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Não comerei da alface a verde pétala...

Não comerei da alface a verde pétala
Nem da cenoura as hóstias desbotadas
Deixarei as pastagens às manadas
E a quem mais aprouver fazer dieta.

Cajus hei de chupar, mangas-espadas
Talvez pouco elegantes para um poeta
Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta
Que acredita no cromo das saladas.

Não nasci ruminante como os bois
Nem como os coelhos, roedor; nasci
Omnívoro, dêem-me feijão com arroz

E um bife, e um queijo forte, e parati
E eu morrerei, feliz, do coração
De ter vivido sem comer em vão

(Vinícius de Moraes)


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