08/02/2010 - 07h30
Marakuthai: (mais) um thai que não é thai - fevereiro/2010
  
Boa parte dos brasileiros que afirmam gostar de comida tailandesa jamais teve, de fato, contato com a autêntica cozinha thai. Até porque, em terra brasilis, a maior parte dos restaurantes que se dizem de comida tailandesa, em verdade, não são. Eu afirmo de peito aberto que pouco ou nada sei sobre o receituário tailandês. Mas, não é preciso saber pra concluir que o Marakuthai não entrega o que promete. Meu recente almoço na casa deixou isso bastante claro pra mim.
Embora a casa se identifique como uma mistura de cozinhas de procedências diferentes (entre elas, supostamente, Brasil e França), o mote do restaurante, que inclusive fica evidente no seu nome, seria a inspiração na cozinha thai. Como eu disse, seria...
Começamos com uma boa salada de papaya verde com camarões caramelizados. Gostei também das lâminas de pato defumado (que é comprado; não é feito lá) com cubinhos de queijo de cabra e uma deliciosa compota de figo e balsâmico. Os bolinhos de camarão não chegaram a me conquistar. Até aí, tudo bem.
  

Com os principais é que a coisa começou a ficar feia... A costelinha com quiabo e purê de milho, saborosa, mas um tanto salgada, talvez pudesse estar em Tiradentes, mas na Tailândia... não sei não.

Meu peixe empanado em farinha de milho, absolutamente sem graça, vinha acompanhado de um purê de batata doce completamente destruído por um azeite de trufas brancas que o deixava enjoativo e artificial. Não deu pra comer. Acho difícil encarar aquele azeite, seja aqui ou na Tailândia.

De tudo o que passou por nossa mesa, o melhor dos pratos e, talvez, o mais afinado com a inspiração da casa foi o curry de mignon, com arroz jasmim e uma farofinha de banana (esta doce demais).

E a perplexidade continuaria com as sobremesas. Havia, na carta, uma taça de sorvete de creme com Nutella e bombons Ferrero Rocher. Fiquei na dúvida se estávamos no Piemonte ou na Tailândia... Melhor driblar esta e ir direto à versão de uma famosa combinação asiática: creme brulê de coco com geléia de manga, que logo descobriríamos que de creme brulê nada tinha... Mais parecia um mingau.

Corajosos, persistimos. O petit gâteau de pequi (o pequi gâteau – gostei do nome) lhe era fiel no sabor, que acho bastante interessante, mas não era, de fato, um petit gâteau; massa e recheio eram perfeitamente dissociáveis. Acompanhando o bolinho, o famigerado e onipresente sorvete de creme.
Enfim, aos quarenta e cinco do segundo tempo, o que nos garantiu alguns sorrisos de satisfação foi o brigadeiro de colher. Mas brigadeiro eu não preciso ir à Tailândia pra comer, certo?

Marakuthai – Alameda Itu 1618
Cerqueira César - SP
www.marakuthai.com.br
05/02/2010 - 07h30
Skye: de onde São Paulo é mais bonita - fevereiro/2010
  
Adoro tomar café da manhã fora. Está entre meus programas prediletos. Nessa minha última passagem pela capital paulista, aproveitei pra unir o útil ao agradável e fui tomar um café no Skye, que há tempos eu queria conhecer. O restaurante do hotel Unique é tão famoso por sua cozinha (comandada pelo chef Emmanuel Bassoleil) como por sua espetacular vista do skyline da cidade. Neste dia, fui até lá pra ver São Paulo. Bassoleil fica pra próxima.

Pela manhã, o lugar é perfeito prum programinha no estilo “ladies who brunch”. O café da manhã não é extraordinário, mas é bem acima da média. Frutas, alguns bons pães, um ótimo pain au chocolat...
  
Pra completar, uma coisa que eu adoro: a boa e velha média. O pão na chapa vem crocante e douradinho. E adorei a idéia do café com leite servido numa xícara GG, quase um balde. Delícia.
  
Pode-se ir pro café, pro almoço ou pro jantar. Isso, talvez, seja o que menos importe. O que não se pode deixar de fazer é dar uma chegadinha no deque da piscina (em geral, exclusivo dos hóspedes, mas com jeitinho nada é impossível...). Chova ou faça sol, a vista é deslumbrante.

E não é que São Paulo também tem seus lampejos de beleza? É só saber – e querer – enxergar...
Skye – no terraço do hotel Unique
Av. Brigadeiro Luís Antônio 4700
www.skye.com.br
02/02/2010 - 08h00
Prima Bruschetteria - fevereiro/2010

Como eu já disse outro dia aqui, o Leblon anda impossível. Não param de surgir novidades na cena gastronômica do bairro. Difícil acompanhar tudo. Mas a gente tenta... Hoje é dia de falar na Prima Bruschetteria que abriu as portas há poucas semanas e já me teve por lá duas vezes. Não preciso dizer qual é o mote do projeto; o nome é auto-explicativo... E a idéia é inédita em plagas cariocas. Bela idéia, aliás.
O lugar é uma graça. Apertadinho, mas uma delícia. Muito vermelho e preto nas cadeiras e nas luminárias. Xadrez nas paredes e nas janelas. Espalhados pela casa, objetos que remetem à Itália, homenageada no cardápio. E detalhes cheios de charme como as luminárias do teto que são, na verdade, fundos de garrafas...
  
  
A comida não chega a ser inspirada. A casa, que é a primeira do gênero no Rio, tem seu foco, obviamente, nas leves e adoráveis bruschettas. Devo dizer que nem todas me conquistaram. Em algumas delas falta tempero ou matéria-prima de maior qualidade. Outras vêm com cobertura em excesso, a ponto de dificultar a bocada... Mas, entre as várias que provei, encontrei ótimos exemplares, como a de gorgonzola e mel, a de Parma com grana padano ou a de lulas em sua tinta. Ideais para um lanche simples e despretensioso.

  
Há, ainda, outras opções no cardápio. Resolvi, com certo receio, conferir um dos risottos – o de linguiça e sálvia – e a surpresa foi boa. Não era extraordinário, mas achei melhor que os de alguns restaurantes famosos que servem a iguaria por aí...

Mas a melhor surpresa estava guardada para a sobremesa. Na carta, há opções de bruschettas doces, feitas com o mesmo pão italiano das versões salgadas, mas destas estou fora. O que me encantou foi o tiramisù, que é servido no copo, do jeito que eu gosto. Delicado, equilibrado, enfim, delicioso. Na próxima vez, quero experimentar o gelatto com grappa e biscotti. É outro que promete...

Prima Bruschetteria – Rua Rainha Guilhermina 95 – Leblon
primab.com.br
Não comerei da alface a verde pétala...
Não comerei da alface a verde pétala
Nem da cenoura as hóstias desbotadas
Deixarei as pastagens às manadas
E a quem mais aprouver fazer dieta.
Cajus hei de chupar, mangas-espadas
Talvez pouco elegantes para um poeta
Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta
Que acredita no cromo das saladas.
Não nasci ruminante como os bois
Nem como os coelhos, roedor; nasci
Omnívoro, dêem-me feijão com arroz
E um bife, e um queijo forte, e parati
E eu morrerei, feliz, do coração
De ter vivido sem comer em vão
(Vinícius de Moraes)