Pra quem quiser me visitar....
  • Jiquitaia, em São Paulo: um jantar delicioso de fio a pavio
  • Kødbyens Fiskebar, em Copenhague
  • Relæ, em Copenhague: pequeno notável
  • Conceição Discos, o novo café de Talitha Barros em São Paulo
  • Du Pain et des Idées: minha padaria do coração em Paris
  • Nordisk Brødhus: meu melhor café da manhã em Copenhague
  • Lasai, a nova casa do chef Rafa Costa e Silva no Rio: exaltação da cozinha de produto
  • Duas vezes Frenchie: Frenchie to Go e Frenchie Bar à Vins
  • Copenhague em pequenos bocados
Segunda, 11 Agosto 2014

Jiquitaia, em São Paulo: um jantar delicioso de fio a pavio

Restaurante Jiquitaia

Muitos dos comentários que ouvi e li sobre o Jiquitaia desde sua inauguração me fizeram crer que se tratava de um lugar onde se oferecia “boa comida para o preço cobrado”. De fato, é impossível não mencionar preço quando se fala a respeito da casa comandada pelos irmãos Nina e Marcelo Bastos (ela no salão, ele na cozinha). Pelo simples fato de que não é mesmo fácil encontrar boa comida pelos valores praticados ali – o menu com entrada, prato e sobremesa custa R$39,00 no almoço, R$59,00 no jantar. Ao menos, não em capitais como Rio e São Paulo, onde é mais fácil comer mal pagando o dobro disso.

 Ocorre que essa natural vinculação dos elogios ao preço da refeição pode criar a falsa impressão de que o restaurante é menos do que é. O que, por outro lado, acaba abrindo caminho pra que se saia com as expectativas superadas. Foi o que aconteceu comigo.

 O ambiente é absolutamente simples e a equipe é pequena. O cardápio, arquitetado em torno de poucas opções, homenageia o simples, trafegando por um repertório permeado por assumida brasilidade. A simplicidade perseguida encontra a justa medida no talento de Marcelo, que dá sentido à surrada máxima que nos diz que menos pode ser mais.

Tudo o que experimentei (incluam-se aí as investidas nos pratos da minha companheira de mesa) estava saboroso e evidenciava uma cozinha marcada por delicadeza e equilíbrio. Foi assim desde os dourados nacos de queijo coalho com geleia de abóbora, que abriram o jantar, passando pelas entradas, um delicadíssimo pirão de leite com carne seca e nhoques de banana da terra com carne seca.

Restaurante Jiquitaia

Restaurante Jiquitaia

Restaurante Jiquitaia

A mesma sutileza havia no purê de banana que contracenava com ótima anchova grelhada, minha escolha entre os pratos principais.

Restaurante Jiquitaia

A amiga que me acompanhava optou pelo magret com arroz de pato no tucupi. Muito gostoso, embora a carne e sua camada de gordura pudessem ser menos firmes, como já me havia alertado um amigo que é frequentador assíduo da casa.  O arroz, apesar de trazer o tucupi um tanto domado, era muito saboroso, uma delícia. A ponto de me fazer avançar em prato alheio mais vezes do que permitiria a boa educação.

Restaurante Jiquitaia

Entre as sobremesas, elegi o levíssimo e delicioso cheesecake com calda de jabuticaba.

Restaurante Jiquitaia

Igualmente leve era o creme de queijo que surgia na companhia da boa e velha goiabada.  

Restaurante Jiquitaia

A toada do Jiquitaia não é a de grandes surpresas ou arroubos inventivos, mas a do conforto de tons familiares abordados com grande competência. Tanto melhor se a afinada cozinha nos entrega isso por preços tão abaixo da média. Mas em momento algum me pareceu que o que me serviam era apenas “comida boa para o preço”. Saí dali convicta de que era mais que isso.

 

Jiquitaia - Rua Antônio Carlos, 268 – Consolação – São Paulo

http://jiquitaia.com.br/

Quinta, 31 Julho 2014

Conceição Discos, o novo café de Talitha Barros em São Paulo

Conceição Discos

Ao cruzar a fronteira dos trinta, deixando pra trás o frescor e certa inocência que há nos vinte, eu não supunha a maior das mudanças que a transição me traria. Fui advertida de uma série de possíveis transformações, mas ninguém jamais me havia revelado justamente o mais grave dos sintomas dessa passagem. Não me prepararam pra algo que antes parecia não estar no script: a consciência da finitude.

Os vinte levaram embora com eles a certeza de que a vida é pra sempre. Os trinta trouxeram o avassalador sentimento de transitoriedade e, com ele, a percepção de que muitos dos desvios que tecemos na malha do tédio cotidiano são, no fundo, uma tentativa de driblar essa condição. Dar um mergulho no mar. Ouvir um disco que nos emocione. Assar um bolo no meio da tarde. Encontrar os amigos pra jogar conversa fora. Viajar. Por alguns minutos ou horas - ou até mesmo dias, nos melhores casos -, esquecemos que é tudo tão efêmero. Acreditamos que pode haver música e bolos fumegantes e o calor de pessoas queridas indefinidamente, sem prazo de validade.

Conceição Discos

Um desses momentos calhou de acontecer no Conceição Discos, o misto de café e loja de vinis que Talitha Barros inaugurou há algumas semanas em São Paulo. A natureza se encarregou de providenciar chuva fina e frio manso. Mal entramos, Sarah Vaughan irrompeu na vitrola. Depois, Chet Baker. Por fim, Ray Charles. É preciso falar ainda no cheiro de comida boa que havia no ar, o que levou um amigo a observar com muita propriedade: “como é bom cozinha que cheira, quase não se vê isso nos restaurantes de hoje”.  

Conceição Discos

“Cozinha que cheira” era mesmo a impressão que eu tinha do que faz Talitha Barros. Sempre ouvi dizer que é das mais talentosas cozinheiras de São Paulo, dessas que abordam com profundidade o simples, o essencial. Ainda não tinha conseguido conferir seu trabalho, especialmente pelo pouco tempo que permaneceu em cada um dos endereços por onde passou nos últimos anos – como Mangiare, Bravin e Brasil a Gosto. Quando soube que abrira um negócio seu, vislumbrei a oportunidade de vê-la em ação. Agora, dona do próprio nariz, com liberdade pra fazer comida do seu jeito.

Conceição Discos

O pequeno salão consiste em um balcão e umas poucas mesas. No cardápio, não há muito. Queijo quente (em algumas variações), pão de queijo recheado com pernil, tortas salgadas e uma pequena seleção de sobremesas, além de um prato do dia (oferecido a inacreditáveis R$20,00) e um bolo do dia. O suficiente pra me revelar que os amigos não mentiam ao dizer que a moça é cozinheira de mão cheia.

Experimentamos o incontornável pão de queijo com pernil e seguimos com o prato do dia, um farto arroz de língua.

Conceição Discos

Conceição Discos

Úmido, extremamente saboroso, era temperado com precisão e equilíbrio. Pelo que ouvi por aí, seu arroz de suã e o de rabada são igualmente elogiáveis. O tipo de prato que se basta, não precisa de antes e depois. Mas como o depois eram as famosas sobremesas de Talitha, o bom senso mandava ir em frente. Éramos quatro, então, compartilhamos as três opções do cardápio e uma fatia do bolo do dia, de banana.

O pudim de leite, considerado por muitos o melhor da cidade, era, de fato, delicioso. Um veludo, sem um único furinho – o que o enquadra na minha classificação de pudim ideal.

Conceição Discos

A torta de limão, outra beleza. Boa massa, ótimo merengue, creme de limão com bem-vinda acidez e açúcar na medida. O gostoso brownie compartilhava o equilíbrio na doçura. O mesmo se diga do bolo de banana, macio, com marcante sabor da fruta.

Conceição Discos

Pra acompanhar o café, paçoca feita na casa, algo salgada, uma delícia.

Conceição Discos

A tarde que passei ali podia ter sido apenas uma prazerosa visita ao novo café, mas acabou se revelando um desses momentos em que a música, a comida e a companhia são tão boas que a gente quase acredita que pode ser assim pra sempre.

 

Conceição Discos – Rua Imaculada Conceição 151 – Vila Buarque

https://www.facebook.com/conceicaodiscos

Quinta, 24 Julho 2014

Lasai, a nova casa do chef Rafa Costa e Silva no Rio: exaltação da cozinha de produto

Lasai restaurante

Conheci Rafa Costa e Silva pouco depois de seu retorno ao Brasil, após uma temporada de cinco anos na cozinha do Mugaritz, no País Basco, onde começou como estagiário e de onde saiu como braço-direito do chef Andoni Luis Aduriz. Estive com ele em várias ocasiões ao longo desses dois anos que antecederam a tão aguardada inauguração de seu Lasai. Entrevistei-o algumas vezes. Em outras tantas, tivemos oportunidade de conversar informalmente. Logo percebi que se tratava de um sujeito irrequieto, dono de um senso crítico afiado, pouco inclinado a aceitar verdades estabelecidas. Sua personalidade, mais do que seu currículo, plantou em mim grandes expectativas.

Tratou de relativizar tudo o que lhe havia sido dito a respeito da dificuldade de conseguir determinado padrão de matéria-prima por aqui. Montou duas hortas e um galinheiro. Construiu uma relação de confiança com agricultores e pescadores, gente que o ajudaria a concretizar as ideias que trazia na bagagem.

Mostrou disposição pra fugir de padrões e fazer as coisas do seu jeito, o que vem provando desde março, quando seu novo restaurante abriu as portas em Botafogo.  É o que se vê, por exemplo, na atuação de sua jovial equipe, que, embora marcada por leveza e informalidade, entrega eficiência rara no cenário da restauração carioca. É o que fica claro também na corajosa decisão de inaugurar sem assessoria de imprensa, sem distribuir convites indiscriminadamente.

Lasai restaurante

Nada disso teria tanto valor se a comida servida no Lasai não fosse boa. Felizmente é. O público tem a chance de descobrir isso através de dois menus cujos preços, ao menos por enquanto, são relativamente inferiores aos praticados por seus pares: um deles consiste em uma sequência de pequenas entradas, dois pratos e uma sobremesa; o outro, num percurso mais longo, algo entre dez e quinze bocados escolhidos pelo chef, que variam constantemente de acordo com o que chegar de mais fresco de suas hortas e das mãos de seus fornecedores.

Lasai restaurante

Nesses quatro meses de vida do restaurante, estive ali três vezes. Embora tenha sido perceptível a evolução entre a primeira visita e a última, era indiscutível a excelência da cozinha já nas primeiras semanas de sua trajetória. É claro que nem tudo o que comi nas três ocasiões me trouxe igual satisfação, mas isso se deve muito mais às minhas idiossincrasias do que a qualquer outro motivo. O fato é que não foram poucas as virtudes que a casa me revelou ao longo desses meses.

Entre elas, a marcante presença de vegetais, de incontestáveis frescor e qualidade, disputando o protagonismo com carnes, peixes e frutos do mar nas mais diversas preparações. Como os chips de batata doce roxa, que acompanhavam a brandade de beijupirá ou os crocantes de milho que amparavam finas lâminas de língua. As diversas tempuras, de quiabo a flor de abobrinha, de berinjela branca a folha de acelga. As ervilhas em várias declinações: salteadas, fresquíssimas, e na forma de dois purês (num, cruas; noutro, cozidas). O veludo da batata-cenoura, que roubava a cena e ameaçava ofuscar um impecável naco de lula. O inhame, que se aliava ao coco, compondo falsa clara onde repousava uma gema mole, à espera do mergulho de um pedaço do chip de carne seca.

Lasai restaurante

Lasai restaurante

Lasai restaurante

Lasai restaurante

Lasai restaurante

Lasai restaurante

Há que falar na técnica exuberante, jamais ostentada por si, mas sempre colocada a serviço do produto, que é a grande estrela ali. Exemplos claros são a extrema delicadeza das tempuras, de que já falei, e os pontos de carnes e peixes – o beijupirá em deliciosa crosta de missô e o contrafilé de Wagyu com pimentão vermelho e batata roxa não me deixam mentir. O mesmo se diga da perfeição dos caldos, como o de carne, que contracenava com vieiras e tutano, e o de porco, que conferia ainda mais profundidade ao prato que unia leitão e batata baroa, esta finalizada na churrasqueira – que, aliás, tem papel importante na cozinha de Rafa.

Lasai

Lasai

Lasai

Lasai restaurante

Devo dizer que as sobremesas me pareceram ser a nota dissonante no concerto. Entre as que experimentei, o melhor elemento foi quase sempre algum tipo de sorvete, como o de açaí – que acompanhava banana e um inexpressivo bolinho de açaí –, o de coco – com doce de melancia e bolinho de coco – ou ainda o de amendoim, que contracenava com figo grelhado, dobradinha em que não vislumbrei grande diálogo.  Na verdade, todas elas me pareceram um degrau abaixo do que se faz na cozinha salgada.

Lasai

Lasai

Lasai

Creio que seja apenas questão de amadurecimento aparar essas arestas. Afinal, por melhor que seja um trabalho, por mais competente que seja um chef, acho que não se pode desprezar algo fundamental em qualquer trajetória de sucesso: o tempo.

 

Lasai - Rua Conde de Irajá, 191 – Botafogo

http://www.lasai.com.br/

Quinta, 17 Julho 2014

Kødbyens Fiskebar, em Copenhague

Kødbyens Fiskebar

Um dos restaurantes mais interessantes por que passei em Copenhague, o Kødbyens Fiskebar está instalado numa área da cidade que vem se reinventando, o Vesterbro. O comércio de carne e as ruas escuras pontuadas por inferninhos vão dando lugar a galerias, bares e restaurantes. O Fiskebar é um dos símbolos dessa reinvenção. Encravado num estacionamento cercado de prédios antes ocupados por frigoríficos, tornou-se um dos endereços da moda na cena gastronômica local. A boa notícia é que a cozinha tem consistência pra sustentar a fama. Tive ali uma das minhas melhores refeições na cidade.

Kødbyens Fiskebar

O ambiente é informal, a equipe é jovem, a atmosfera, vibrante. No enxuto cardápio, as estrelas são peixes e frutos do mar, que surgem em preparações leves, atuais e muito bem executadas.

De tudo o que passou por minha mesa, só o pão não agradou. Não parecia fresco. No mais, foi um jantar sem senões. Delicioso, de fio a pavio.

Comecei com mexilhões, que estão entre as minhas predileções.

Kødbyens Fiskebar

Os soberbos nacos de king crab, com creme de limão, eram tenros, doces, sérios candidatos a melhor prato da noite.

Kødbyens Fiskebar

O fish and chips, feito com Gadus morhua defumado, foi dos mais gostosos que já experimentei.

Kødbyens Fiskebar

O desfecho veio com uma sobremesa primaveril, extremamente delicada e cheia de frescor: biscoito embebido em calda de ruibarbo e aquavit, pedaços de ruibarbo (que surgia, ainda, na forma de geleia), sorvete de iogurte, mousse de cumaru e crumble.

Kødbyens Fiskebar

Saí dali com a sensação de que poderia começar tudo outra vez.

 

Kødbyens Fiskebar – Flæsketorvet 100

fiskebaren.dk/

Segunda, 07 Julho 2014

Du Pain et des Idées: minha padaria do coração em Paris

Du Pain et des Idées Paris

Um dos fatores determinantes na escolha de onde me hospedar em Paris é a proximidade de algum endereço que me fale ao estômago. O mercado favorito, o restaurante de estimação, a pâtisserie predileta.  Assim, vou esquadrinhando a cidade segundo caminhos que, se nem sempre levam ao monumento mais visitado ou ao parque mais famoso, me permitem saciar outras fomes.

A fome que me guiou na última visita, mais uma vez, tinha destino certo. Embora sempre tenha adorado o Canal Saint-Martin, o que me fez elegê-lo como morada nessa recente passagem pela cidade não foi a beleza ou a vibração do lugar, mas o fato de abrigar no seu entorno aquela que talvez seja a padaria mais incrível de Paris: Du Pain et des Idées.

Du Pain et des Idées Paris

A boulangerie de Christophe Vasseur ocupa um lindo imóvel do século XIX, onde se tem a sensação de que o tempo parou. O que se produz ali também parece resistir ao ritmo moderno, que dita essa estranha necessidade de que tudo fermente cada vez mais rápido – de pães a relacionamentos. Vasseur e sua equipe sabem que as melhores obras demandam tempo.

Some-se a essa sabedoria matéria-prima de qualidade superior, extremo zelo na escolha de cada ingrediente – da farinha à manteiga, passando pela água utilizada no processo de elaboração dos pães – e o resultado é uma padaria como poucas.

Du Pain et des Idées Paris

A feliz escolha de me instalar a poucos passos dali me garantiu manhãs memoráveis na companhia de croissants e pains au chocolat perfeitos, das infinitas camadas de massa folhada dos famosos escargots, da melhor tarte aux pommes da minha curta jornada e, claro, de muitas fatias de seu cultuado pain des amis.   

Du Pain et des Idées

Du Pain et des Idées

Du Pain et des Idées

Du Pain et des Idées

Numa delas, mal tinha me acomodado à mesa na entrada da casa, desabou uma chuva que prometia estragar todos os planos que havíamos feito pras horas seguintes. Uma satisfação inconfessa se instalou imediatamente em mim. No fundo, eu não queria mesmo sair dali. E a verdade é que aquela manhã de planos frustrados, remediados com excessivas doses de farinha e manteiga, acabou se tornando uma das melhores lembranças da viagem.

 

Du Pain et des Idées – 34 rue Yves Toudic

http://dupainetdesidees.com/

Quarta, 02 Julho 2014

Duas vezes Frenchie: Frenchie to Go e Frenchie Bar à Vins

Frenchie Paris

Na carona do retumbante sucesso de seu restaurante Frenchie, o chef Gregory Marchand espalhou seus tentáculos na diminuta rue du Nil, em Paris, inaugurando ali mais duas casas nos últimos anos. Primeiro veio o Frenchie Bar à Vins. Em seguida, o Frenchie to Go.

Frenchie to Go

No cardápio do Frenchie to Go, brilham clássicos de sotaque americano e inglês, como os sanduíches de pulled pork e de pastrami, bagels, cachorros-quentes, fish and chips e um famoso (e caro) lobster roll. A possível máscara de comida fácil cai à primeira mordida. Os produtos usados são de indiscutível qualidade - alguns deles providos pelo vizinho de rua Terroir d’Avenir, que, aliás, merece uma visita. Os pães são impecáveis. O pastrami, o bacon e as salsichas são de produção própria.

Frenchie to Go

Pode-se comprar pra viagem ou comer ali mesmo, se der a sorte de encontrar um lugar no pequeno salão. A verdade é que "pequeno" é eufemismo, então, o melhor é não deixar só por conta da sorte e ir fora do horário de pico. Foi o que fiz.

Experimentei dois de seus sanduíches. O Reuben acomoda delicioso pastrami, cheddar e salada de repolho roxo e beterraba entre duas fatias de pão tostado. Pra mim, o único senão foi o fato de passar muito tempo no calor da chapa, o que deixou o pão crocante demais, quase uma torrada, a ponto de dificultar a mordida.

Frenchie to Go

O sanduíche de pulled pork estava perfeito. Com ele veio o silêncio, aquele que se instala no momento em que fomes maiúsculas encontram resposta à altura. Pão excelente, recheio muito saboroso, o porco contracenando com o mesmo ótimo coleslaw feito à base de repolho roxo e beterraba. Para acompanhar, pedi as batatas-fritas mais finas, infernais, melhores que as de corte mais grosso.

Frenchie to Go

Saí dali com vontade de voltar. Já no Frenchie Bar à Vins não posso dizer que tenha acontecido o mesmo. Pela comida, eu retornaria sempre. Pela experiência como um todo, talvez não. Pode ter sido falta de sorte minha, mas, a julgar pela noite em que estive lá, a casa me pareceu padecer de muitos dos males que acometem os lugares da moda. Fila na porta, serviço muito confuso e salão lotado a ponto de ser difícil mexer os braços sem acotovelar quem estivesse no entorno.

Não era fácil a tarefa de se fazer enxergar pelos garçons. Quando, finalmente, após muitos apelos, comida e bebida chegavam à mesa, a cada tentativa de levantar a taça ou o garfo, esbarrava-se em alguém.  Quando o garfo, enfim, chegava à boca, tudo ficava melhor, pois a comida era de fato muito boa. Nuggets de ris de veau com alcachofra. Deliciosa terrine de campagne. Pappardelle com ragu de cordeiro, limão confit e kalamata, que ainda habita minha memória.  Sanduíche de pulled pork, o mesmo da casa irmã, que ali é servido cortado em pedaços - reincidimos, não deu pra resistir.

Frenchie Bar à Vins

Frenchie Bar à Vins

Frenchie Bar à Vins

Frenchie Bar à Vins

Estava tudo tão bom, que a vontade era de continuar explorando o cardápio. Mas o lugar ia ficando cada vez mais cheio e confuso, então, desistimos. Se você for capaz de sublimar circunstâncias como essas e se concentrar inteiramente no que está na mesa, tem grandes chances de se divertir mais do que eu. Caso contrário, é melhor ir com o espírito preparado.

 

Frenchie to Go – 9 rue du Nil – 2ème

http://www.frenchietogo.com/

Frenchie Bar à Vins – 6 rue du Nil – 2ème

http://www.frenchie-restaurant.com/menu_bar_fr

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