Pra quem quiser me visitar....
  • Duas vezes Frenchie: Frenchie to Go e Frenchie Bar à Vins
  • Copenhague em pequenos bocados
  • Artesanal: para onde aponta a cozinha de Roberta Sudbrack em 2014
  • Relæ, em Copenhague: pequeno notável
  • Pirouette: oásis em Les Halles
  • Noma, o lendário restaurante do chef René Redzepi em Copenhague: minhas impressões
  • Nordisk Brødhus: meu melhor café da manhã em Copenhague
  • Clamato, a nova casa do chef Bertrand Grébaut em Paris
  • Você já foi ao Paraíso Tropical? Não? Então, vá.
Quarta, 02 Julho 2014

Duas vezes Frenchie: Frenchie to Go e Frenchie Bar à Vins

Frenchie Paris

Na carona do retumbante sucesso de seu restaurante Frenchie, o chef Gregory Marchand espalhou seus tentáculos na diminuta rue du Nil, em Paris, inaugurando ali mais duas casas nos últimos anos. Primeiro veio o Frenchie Bar à Vins. Em seguida, o Frenchie to Go.

Frenchie to Go

No cardápio do Frenchie to Go, brilham clássicos de sotaque americano e inglês, como os sanduíches de pulled pork e de pastrami, bagels, cachorros-quentes, fish and chips e um famoso (e caro) lobster roll. A possível máscara de comida fácil cai à primeira mordida. Os produtos usados são de indiscutível qualidade - alguns deles providos pelo vizinho de rua Terroir d’Avenir, que, aliás, merece uma visita. Os pães são impecáveis. O pastrami, o bacon e as salsichas são de produção própria.

Frenchie to Go

Pode-se comprar pra viagem ou comer ali mesmo, se der a sorte de encontrar um lugar no pequeno salão. A verdade é que "pequeno" é eufemismo, então, o melhor é não deixar só por conta da sorte e ir fora do horário de pico. Foi o que fiz.

Experimentei dois de seus sanduíches. O Reuben acomoda delicioso pastrami, cheddar e salada de repolho roxo e beterraba entre duas fatias de pão tostado. Pra mim, o único senão foi o fato de passar muito tempo no calor da chapa, o que deixou o pão crocante demais, quase uma torrada, a ponto de dificultar a mordida.

Frenchie to Go

O sanduíche de pulled pork estava perfeito. Com ele veio o silêncio, aquele que se instala no momento em que fomes maiúsculas encontram resposta à altura. Pão excelente, recheio muito saboroso, o porco contracenando com o mesmo ótimo coleslaw feito à base de repolho roxo e beterraba. Para acompanhar, pedi as batatas-fritas mais finas, infernais, melhores que as de corte mais grosso.

Frenchie to Go

Saí dali com vontade de voltar. Já no Frenchie Bar à Vins não posso dizer que tenha acontecido o mesmo. Pela comida, eu retornaria sempre. Pela experiência como um todo, talvez não. Pode ter sido falta de sorte minha, mas, a julgar pela noite em que estive lá, a casa me pareceu padecer de muitos dos males que acometem os lugares da moda. Fila na porta, serviço muito confuso e salão lotado a ponto de ser difícil mexer os braços sem acotovelar quem estivesse no entorno.

Não era fácil a tarefa de se fazer enxergar pelos garçons. Quando, finalmente, após muitos apelos, comida e bebida chegavam à mesa, a cada tentativa de levantar a taça ou o garfo, esbarrava-se em alguém.  Quando o garfo, enfim, chegava à boca, tudo ficava melhor, pois a comida era de fato muito boa. Nuggets de ris de veau com alcachofra. Deliciosa terrine de campagne. Pappardelle com ragu de cordeiro, limão confit e kalamata, que ainda habita minha memória.  Sanduíche de pulled pork, o mesmo da casa irmã, que ali é servido cortado em pedaços - reincidimos, não deu pra resistir.

Frenchie Bar à Vins

Frenchie Bar à Vins

Frenchie Bar à Vins

Frenchie Bar à Vins

Estava tudo tão bom, que a vontade era de continuar explorando o cardápio. Mas o lugar ia ficando cada vez mais cheio e confuso, então, desistimos. Se você for capaz de sublimar circunstâncias como essas e se concentrar inteiramente no que está na mesa, tem grandes chances de se divertir mais do que eu. Caso contrário, é melhor ir com o espírito preparado.

 

Frenchie to Go – 9 rue du Nil – 2ème

http://www.frenchietogo.com/

Frenchie Bar à Vins – 6 rue du Nil – 2ème

http://www.frenchie-restaurant.com/menu_bar_fr

Terça, 24 Junho 2014

Manfreds & Vin, o caçula do chef Christian Puglisi: dos meus endereços favoritos em Copenhague

Manfreds & Vin

Como eu dizia no post anterior, a segunda casa de Christian Puglisi, embora compartilhe virtudes fundamentais com a primeira (inclusive a evidente qualidade do produto), tem uma proposta diferente, o que se revela numa atmosfera ainda mais informal e vibrante e numa cozinha mais rústica, mas não menos deliciosa.

Há um enxuto rol de opções à la carte, mas o interessante é o menu à escolha do chef, com sete pratos a compartilhar, cujos protagonistas são os vegetais. Ótima comida, do primeiro ao último bocado. Sempre acompanhada pelo excelente pão da casa. (A propósito, Puglisi promete inaugurar uma padaria em Copenhague ainda esse ano.)

Fitas de aipo-rábano envoltas em creme de anchovas e cristais de azeitona preta. Dos melhores pratos da noite.

Manfreds & Vin

Gostosas rillettes de porco com pão tostado.

Manfreds & Vin

Beterrabas assadas com creme de limão. Este seria o primeiro prato do percurso, o que, de fato, faria mais sentido, mas os garçons que nos atendiam, um tanto atrapalhados, acabaram mudando a ordem do menu. Eu diria que o serviço confuso foi o único senão naquela noite. Mas a simpatia da equipe minimizou o problema.

Manfreds & Vin

Ovo pochê, compota de batatas, crocantes de porco.

Manfreds & Vin

O prato de carnes era impecável (a língua de vitela estava especialmente boa), mas, acreditem, teve o brilho roubado pelo que veio antes – doces cebolas assadas em molho de cerveja, deliciosas – e depois – cenouras assadas com creme de queijo de cabra fresco e estragão, o último ato do percurso.

Manfreds & Vin

Manfreds & Vin

Manfreds & Vin

Os vegetais são, de fato, as grandes estrelas nas mãos da equipe do Manfreds, que faz deles não apenas o esteio de sua cozinha, mas, acima de tudo, pratos verdadeiramente gostosos.  

 

Manfreds & Vin - Jægersborggade 40

http://manfreds.dk/

 

Segunda, 16 Junho 2014

Relæ, em Copenhague: pequeno notável

Relæ  Copenhagen

As duas casas do chef Christian Puglisi em Nørrebro, além de me garantirem algumas das minhas melhores refeições na recente passagem por Copenhague, me pareceram, cada uma a seu modo, a perfeita tradução do despojamento da cidade e de sua atual cena gastronômica. Ambiente e cozinha despem-se de todos os possíveis excessos e refletem o que há de melhor nos restaurantes locais: salões nada sisudos, equipes jovens e informais – em que os próprios cozinheiros eventualmente fazem as vezes de garçons –, cardápios marcados por foco no produto e especial apreço pelos vegetais, que surgem sempre em execução impecável.

O post de hoje dedico ao primogênito, o Relæ, cuja cozinha é mais inventiva. O caçula, Manfreds & Vin, onde a comida é mais rústica e a atmosfera mais informal, será assunto do próximo post.

Chegamos antes das oito da noite e a casa já estava cheia. Naquele horário, ainda não havia entrado em cartaz o menu mais longo, de sete passos, mas o de quatro etapas foi suficiente pra me revelar o belo trabalho feito ali.

Começamos com o excelente pão da casa, acompanhado de azeite siciliano.

Relæ  Copenhagen

No primeiro ato, navalhas quase cruas, sob pele de pepino e espinafre.

Relæ  Copenhagen

Confesso que subestimei o prato seguinte, que acabou por me surpreender, revelando-se o melhor da noite. Finas lâminas de cogumelos e vários tipos de grãos vinham mergulhados num delicioso consommé de alho selvagem (folhas onipresentes nos cardápios de primavera em Copenhagen). Um naco de pão me auxiliou na tarefa de não deixar uma gota sequer do consommé no prato.

Relæ  Copenhagen

Em seguida, galinha em baixa temperatura, com aipo-rábano fermentado e crocantes de pele de galinha.

Relæ  Copenhagen

O desfecho veio com o melhor sorvete de baunilha da minha curta trajetória, coroado com cítricos (laranja e tangerina) desidratados. A apoteose da simplicidade.

Relæ  Copenhagen

 

Relæ - Jægersborggade 41 – Nørrebro

http://www.restaurant-relae.dk/

Quarta, 04 Junho 2014

Nordisk Brødhus: meu melhor café da manhã em Copenhague

Nordisk Brødhus Copenhagen

Comer pão é das melhores coisas a fazer em Copenhague. Fiquei realmente impressionada com a qualidade dos que me foram servidos em praticamente todos os restaurantes por onde passei. Mas o pão pelo qual eu voltaria dezenas de vezes à capital dinamarquesa não encontrei em seus restaurantes estrelados, mas numa despojada padaria em Nørrebro.

A lenha empilhada na porta da Nordisk Brødhus denunciava que havia boa coisa ali. A padaria não tem a fama da vizinha de bairro Meyers Bageri, mas me agradou ainda mais. O espaço acolhe com simplicidade quem vai até ali pra primeira refeição do dia. O hipnotizante forno a lenha no meio do salão é a estrela do lugar. Dele saíram alguns dos motivos que fizeram daquele meu melhor café da manhã na cidade.

Nordisk Brødhus Copenhagen

Nordisk Brødhus Copenhagen

Eram bons os ovos à la coque, o queijo, o chutney, o presunto cru, mas o que me faria voltar estava mesmo no forno. Do que experimentei ali, só não me entusiasmou o croissant. O cinamon roll era delicioso, a ponto de termos pedido bis e levado ainda um terceiro pra viagem. Acima de tudo, havia o pão de centeio, das coisas que não se pode deixar de comer quando se está na Dinamarca. E o da Nordisk Brødhus era fabuloso. Massa rica, crosta perfeita. Minha vontade era trazer um estoque dele na  bagagem.

Nordisk Brødhus Copenhagen  Nordisk Brødhus Copenhagen

Nordisk Brødhus Copenhagen

Nordisk Brødhus Copenhagen

 

Nordisk Brødhus - Rantzausgade 58 B

http://nordiskbrodhus.dk/

Sexta, 30 Maio 2014

Copenhague em pequenos bocados

Copenhagen

De smørrebrøds a cachorros-quentes, passando por bons cafés, boas cervejas e bons pães, há uma Copenhague há ser descoberta em pausas despretensiosas, saboreada em pequenos bocados. O que pode ser tão prazeroso quanto percorrer seus celebrados restaurantes. Voilà.

THE COFFEE COLLECTIVE E MEYERS BAGERI

Difícil passar pela Jægersborggade, em Nørrebro, sem se render à irresistível dobradinha: abastecer-se nas prateleiras da Meyers Bageri e comer acomodado na mesa coletiva da The Coffee Collective, logo em frente, na companhia de ótimos cafés. O kanelsnurrer (pão de canela) da famosa padaria de Claus Meyer não me disse muito, mas o thebirke - camadas de massa folhada trabalhadas à perfeição, salpicadas com uma dose generosa de sementes de papoula - eu poderia comer todos os dias.

Meyers Bageri Copenhagen  The Coffee Collective

Meyers Bageri Copenhagen

http://coffeecollective.dk/

http://www.clausmeyer.dk/da/meyers_bageri.html

CACHORRO-QUENTE: QUIOSQUE DØP E ANDERSEN BAKERY

Cachorro-quente é coisa séria em Copenhague. Há quiosques espalhados por toda a cidade. Nem todos me pareceram atraentes, mas em um deles comi um ótimo exemplar: o DØP, ao lado da Rundetaarn. Pão, salsicha, mostarda, ketchup, rémoulade, picles, cebolas crocantes. A apoteose da comida de rua.

DOP hot dogs Copenhagen

DOP hot dogs Copenhagen

Melhor que ele, só o delicioso Grand Danois, uma das três variações do sanduíche vendidas na Andersen Bakery. Tão bom que me fez reincidir dois dias depois.

Hot Dog Corner Andersen Bakery

  http://www.døp.dk/

 http://www.andersen-danmark.dk/

MIKKELLER & FRIENDS

O bar da irreverente cervejaria dinamarquesa Mikkeller é hipster demais pro meu gosto, mas encontrei um bom modo de usar: uma parada providencial no começo da noite, antes de seguir pra jantar, horário em que o lugar ainda está meio vazio. Logo ao lado, fica a loja, onde se encontram muitos dos seus rótulos, além de uma pequena seleção de outras marcas.

Mikkeller Friends Copenhagen  Mikkeller Friends Copenhagen

Stefansgade 35 – Nørrebro

http://mikkeller.dk/the-bars/

TORVEHALLERNE

O belo mercado é outra parada obrigatória. Entre as duas alas de lojas, espalham-se bancas de frutas, verduras, legumes e flores. Na parte coberta, há de tudo: de azeites a embutidos, de queijos a chocolates, além de pequenos balcões onde se pode fazer uma refeição despretensiosa.

Torvehallerne Copenhagen

Torvehallerne Copenhagen

Torvehallerne Copenhagen

Torvehallerne Copenhagen

Aproveitei pra passar na filial da Summerbird e experimentar o autêntico flødeboller. O tradicional doce dinamarquês é feito de merengue coberto com chocolate amargo sobre base de marzipan. E, claro, não me despedi sem uma xícara de café na The Coffee Collective, que tem uma filial no mercado.

summerbird copenhagen

summerbird copenhagen   The Coffee Collective

The Coffee Collective

Frederiksborggade 21

http://torvehallernekbh.dk/

AAMANNS DELI

Ótimo endereço pra experimentar os incontornáveis smørrebrøds, que ali surgem numa abordagem mais atual. Provamos três: rosbife com rémoulade e cebolas crocantes, barriga de porco com emulsão de cerefólio e bacon e, ainda, arenque marinado em beterraba, com crème fraîche, raiz-forte e chips de centeio. O último era especialmente bom. Mais dinamarquês, impossível.

Aamanns Deli Copenhagen

Aamanns Deli Copenhagen

Aamanns Deli Copenhagen

 

Øster Farimagsgade 10

http://www.aamanns.dk/

 

Quinta, 22 Maio 2014

Pirouette: oásis em Les Halles

Pirouette Paris

Uma das refeições mais prazerosas nessa minha passagem por Paris aconteceu no Pirouette, um oásis no estranho entorno de Les Halles. O lugar me ganhou de cara. O bonito salão com paredes envidraçadas voltadas pra rue de la Grande Truanderie tornava difícil a tarefa de tirar os olhos da cidade e trazê-los pro bem resolvido cardápio. A proposta de uma abordagem atual da cozinha de bistrô dava o tom da feliz equação onde boa comida e bons preços encontrariam correspondência.

Pirouette Paris

O menu de almoço, que incluía entrada e prato principal por 18 euros, era de fazer rir daquilo que nos impingem como almoço executivo no Rio de Janeiro. Começava com a delicadeza da fregola sarda em manteiga de brócolis, contracenando com o saboroso sabodet, embutido feito de cabeça de porco.

Pirouette Paris

Entre os dois pratos do dia, ficamos com o delicioso onglet com batatas assadas.

Pirouette Paris

Já o menu Pirouette, por 40 euros, consistia em entrada, prato e sobremesa, a escolher entre várias opções. A entrada eleita, tempura de polvo com endívias e maionese, era muito gostosa, mas ficava à sombra da fregola sarda.

Pirouette Paris

Como principal, não pude resistir ao pato com kinkan, aspargo e pedacinhos de pé de porco empanados. A carne poderia estar menos cozida, mas, ainda assim, o prato era uma delícia: aspargo crocante, carne saborosa, molho equilibrado, pontuado pela sutil doçura da kinkan. O pé de porco, pra quem é fã do bicho como eu, era um bem-vindo bônus: pede-se pato e ainda se ganha porco.

Pirouette Paris

O desfecho não poderia ser outro: o riz au lait da casa, que faz jus à fama que já tem. Não bastasse ser tão gostoso, chegou à mesa ao som de Duke Ellington e John Coltrane. O que mais eu poderia querer?

Pirouette Paris

 

Pirouette –  5, rue Mondétour – 1er arrondissement

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