Pra quem quiser me visitar....
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  • Terreiro Bahia, a casa de Tereza Paim na Praia do Forte
  • Pirouette: oásis em Les Halles
  • Noma, o lendário restaurante do chef René Redzepi em Copenhague: minhas impressões
  • Feira de São Joaquim, em Salvador: peculiar amálgama de exuberância e decadência
  • Clamato, a nova casa do chef Bertrand Grébaut em Paris
  • Você já foi ao Paraíso Tropical? Não? Então, vá.
  • Mar Aberto, em Arembepe, e Bar do Souza, na Praia do Forte: pra ver o mar
Terça, 08 Abril 2014

Casa de Tereza, em Salvador

Casa de Tereza Salvador

Como disse no post anterior, minha experiência no Casa de Tereza não foi tão feliz como havia sido meu jantar no restaurante de Tereza Paim na Praia do Forte. Eu seria injusta se dissesse que comi mal ali, mas também não posso dizer que tenha me entusiasmado. Nem deixar de observar que ambiente e serviço colaboraram pra comprometer a noite. Talvez tenham até mesmo turvado minha percepção da comida. Afinal, o grau de satisfação com uma refeição envolve fatores que extrapolam o que está no prato.

O serviço confuso, extremamente lento e profundamente ruidoso, contribuiu pra arruinar o ritmo do meu jantar. Quanto ao ambiente, confesso que me soou inadequada a música ao vivo no salão. Talvez lhes pareça ranzinice minha, mas eu observava as bandejas de moquecas e bobós circulando ao som de um pianista tocando “My Way” e me perguntava se não havia alguma desconexão naquela cena.

Dito isso, vamos à cozinha.

Cogitamos revisitar a ótima moqueca que havíamos comido no Terreiro Bahia no dia anterior (os cardápios das duas casas têm muito em comum), mas acabamos decidindo experimentar outras coisas.

O couvert trazia beijus, biscoitos de polvilho e manteiga. Com ele, ótimas farinhas e pimentas que nos acompanharam ao longo de todo o jantar.

Casa de Tereza Salvador

Casa de Tereza Salvador

As telhas de beijus com gratinado de siri não eram más, mas não chegavam a ser boas.

Casa de Tereza Salvador

No quesito frituras, o bolinho intitulado “Negão”, embora um pouco pesado, era muito gostoso: massa de feijão e recheio feito das carnes do feijão processadas com pedacinhos de couve.

Casa de tereza

As lascas de carne de fumeiro eram muito saborosas, mas o caramelo de laranja, doce demais, comprometia o equilíbrio do prato.

Casa de tereza

A maior satisfação da noite veio com o impecável escondidinho de batata baroa com fumeiro. O creme, amanteigado, era um veludo. O recheio, uma delícia. Quase pedi bis.

Casa de tereza

Considero voltar ao Casa de Tereza numa próxima visita a Salvador. Quem sabe, experimentar seu menu degustação da cozinha de santo, que me pareceu interessante. Só torço pra não encontrar os mesmo problemas.

 

Casa de Tereza - Rua Odilon Santos, 45 - Rio Vermelho – Salvador

http://www.casadetereza.com.br/

Segunda, 31 Março 2014

Terreiro Bahia, a casa de Tereza Paim na Praia do Forte

Terreiro Bahia

Tinha apenas um jantar na Praia do Forte. Naturalmente, minha escolha não poderia recair em outro lugar que não a casa da chef Tereza Paim, que ostenta a fama de melhor restaurante da vila.

Me acomodei na varanda, onde a brisa anunciava a noite ideal pra eu saciar minha fome de Bahia com doses generosas de farinha e pimenta.

Começamos com bons bolinhos de moqueca e um pudim de siri ainda melhor.

Terreiro Bahia

Terreiro Bahia

Seguimos com a moqueca de beijupirá, camarão, polvo e banana da terra. O peixe e os frutos do mar pediam menos tempo de fogo, mas, ainda assim, a moqueca estava muito saborosa - o caldo era de comer às colheradas.

Terreiro Bahia

Vinha na companhia de arroz, farofa e um delicioso pirão, mais cremoso que o de costume. Segundo o garçom, além da farinha e do caldo da moqueca, o pirão de Tereza leva leite de coco. Talvez ele, mais do que a própria moqueca, tenha sido a estrela do jantar.

Terreiro Bahia

Nosso fôlego ameaçava não chegar à sobremesa, mas havia quindim no cardápio e eu não pude evitar.

Terreiro Bahia

Com a feliz experiência na memória, na noite seguinte, eu tomaria o rumo do restaurante que a chef inaugurou recentemente em Salvador, o Casa de Tereza. No entanto, ali, as coisas seriam um pouco diferentes. Mas isso é assunto pra outro post.

 

Terreiro Bahia – Avenida ACM, s/n, Praia do Forte, Bahia

http://www.terreirobahia.com.br/

 

Terça, 25 Março 2014

Feira de São Joaquim, em Salvador: peculiar amálgama de exuberância e decadência

Feira de São Joaquim Salvador

Fazia tempo que eu queria conhecer a Feira de São Joaquim. Trata-se da maior feira livre de Salvador, de onde é impossível sair indiferente. Estive ali por cerca de uma hora (o que é muito pouco se considerarmos seu tamanho), em constante estado de assombro.

As instalações são imundas e cheiram mal. Mas, em todo canto, havia beleza esbarrando na feiura, brotando no meio da desordem, ainda que, muitas vezes, sob o véu do estranhamento. Falo do inebriante colorido das pimentas, das frutas, das garrafas de dendê, das montanhas de camarões secos. Dos detalhes da própria arquitetura do lugar - a sujeira e o descuido desbotam, mas não escondem o belo piso de parte da feira e os azulejos que cobrem as paredes de algumas bancas. Das pessoas que povoam o mercado. Da mistura do sagrado com o mundano, tão presente em Salvador e que a feira tão bem sintetiza.

Sentimentos conflitantes me acompanharam ao longo da visita. Ora me impressionava com a riqueza cultural que se manifesta ali, ora me entristecia com o abandono que devora aqueles corredores e as vidas que os habitam. A feira resume o Brasil, um retrato lindo e triste do que somos.

O peculiar amálgama de exuberância e decadência revelava, a cada passo, cenas que capturariam mesmo o olhar mais desatento. As fotos estavam todas ali, prontas. Meu único esforço foi enquadrar e clicar. 

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

 

Feira de São Joaquim – Avenida Engenheiro Oscar Pontes s/n (estacionamento em frente à feira, na altura do nº 335 da Avenida Jequitaia)

Quarta, 19 Março 2014

Mar Aberto, em Arembepe, e Bar do Souza, na Praia do Forte: pra ver o mar

Praia do Forte

Um dos programas que gosto de fazer quando estou no litoral do Nordeste é comer em bares e pequenos restaurantes à beira-mar. Nem sempre a comida é digna de nota, mas são lugares que revelam um modo de comer particular das praias brasileiras e costumam representar a oportunidade de experimentar coisas que dificilmente encontramos fora das mesas do litoral. No mais, é sempre um bom pretexto para a prática de um dos meus grandes prazeres na vida: ver o mar. Foi o que fiz nos dois endereços que dão título a esse post.

Ao Mar Aberto, em Arembepe (vilarejo a meio caminho entre Praia do Forte e Salvador), cheguei por recomendação de uma amiga baiana. A varanda nos fundos do restaurante emoldura a praia da vila. Poderia passar horas observando aquele cenário, recebendo a bem-vinda brisa que invadia o restaurante.

Mar Aberto Arembepe

Mar Aberto Arembepe

Mar Aberto Arembepe

Começamos com as incontornáveis lambretas. Infelizmente, faltava-lhes sabor.

Mar Aberto Arembepe

Melhor sorte tivemos com a porção de puã, como são chamadas ali as patinhas de caranguejo.

Mar Aberto Arembepe

Bom mesmo estava o bobó de camarão. Trata-se de uma das minhas predileções e estava realmente benfeito. Diferente do que aconteceu com as entradas, o prato conseguiu disputar com o mar nossa atenção.

Mar Aberto Arembepe

Na filial do Bar do Souza, que funciona dentro do centro de visitantes do Projeto Tamar, na Praia do Forte, come-se com os pés na areia, diante de um cenário inspirador.

Bar do Souza Praia do Forte

Bar do Souza Praia do Forte

A única referência que eu tinha do bar eram os famosos bolinhos de peixe, que chegaram na companhia de um delicioso suco de mangaba. Gostosos, de fato, mas o melhor viria em seguida.

Bar do Souza Praia do Forte

Bar do Souza Praia do Forte

A montanha de pititinga frita me traria um dos momentos mais prazerosos à mesa neste começo de ano.

Bar do Souza Praia do Forte

Não sei se foi apenas o fato de os minúsculos peixes estarem tão crocantes e saborosos. Desconfio que a chuva fina, seguida daquela luz ímpar pra qual ainda não inventaram adjetivos, e, ainda, o bônus de um tímido arco-íris tiveram uma parcela de contribuição na felicidade que se instalou em nós naquela tarde.

Bar do Souza Praia do Forte

 

Mar Aberto - Largo São Francisco, 43 - Arembepe – Bahia

http://www.marabertorestaurante.com.br/

Bar do Souza – Dentro do Projeto Tamar, na Avenida Farol Garcia d’Ávila s/n – Praia do Forte - Bahia. Matriz na Avenida ACM s/n.

 

Domingo, 09 Março 2014

Pipo: não me enganei

Pipo Felipe Bronze

Em julho do ano passado, contei aqui do meu entusiasmo a respeito do Pipo, segunda casa do chef Felipe Bronze, então recém-inaugurada. Não foi sem certo receio que o fiz. Afinal, o lugar tinha apenas uma semana de vida e eu havia estado lá uma única vez. O fato é que saí dali com a impressão de estar diante de uma das melhores novidades entre as recentes inaugurações no Rio de Janeiro. Hoje, depois de ter voltado quase uma dezena de vezes, eu diria que não me enganei.

Numa cidade onde é tão fácil pagar caro pra comer mal, eu me animo cada vez menos a arriscar. Confesso que ando cansada de comer em vão. Como consequência disso, às vezes me vejo andando em círculos, percorrendo sempre a mesma meia dúzia de endereços onde saiba serem pequenas as chances de decepção. O Pipo rapidamente passou a fazer parte dessa lista.

Vou poupá-los de repetir tudo o que já tinha dito sobre o conceito da casa. Limito-me a comentar o que tenho comido por lá. Quase sempre, cumpro o mesmo ritual: peço uma Summer Ale, eventualmente uns pastéis, e então me concentro nos sanduíches, que me parecem o maior acerto do cardápio.

Além do Mc Pipo e do Cervantes, de que já tinha falado no post anterior, há o Camarones, o Ostrix e o De Panela. O primeiro traz camarões em ponto perfeito, maionese de gengibre e abacate.

Pipo Felipe Bronze

O Ostrix ameaçou minha predileção pelo Cervantes. Um pão de milho acomoda crocantes ostras fritas, maionese de ostras, limão confit e cebola roxa, numa combinação infernal. Bem, ao menos era assim até mês passado. Há poucos dias, soube que o sanduíche sofreu algumas mudanças. Sou da opinião de que não se mexe em time que está ganhando, mas, se era pra mudar, espero que tenha sido pra melhor.

ostrix pipo

O De Panela homenageia um clássico de botequim, o bom e velho sanduíche de carne assada. Imagino que a carne desfiada que chega na companhia de pão de leite, aïoli e picles de pepino não seja propriamente assada, mas o que me importa é que a versão do Pipo é deliciosa. Desde que a experimentei, entrou no páreo, ao lado do Ostrix e do Cervantes. Difícil dizer de qual dos três gosto mais. É dessas disputas acirradas, que só se definem no photochart.

Pipo Felipe Bronze

Na última visita, quebrei a rotina por um bom motivo. O almoço executivo, em cartaz de segunda a sexta, me fez deixar de lado os sanduíches. Por R$55,00, a fórmula inclui entrada (salada ou pastéis) e um dos PFs, abreviação de “Pratos do Felipe”, uma brincadeira que alude aos pratos substanciosos dos botecos cariocas, que ali ganham livres versões do chef, ao propor sua abordagem de clássicos como bife a cavalo, arroz de polvo e carne assada com arroz, feijão e farofa. Por R$65,00, a fórmula inclui uma das sobremesas do cardápio, que não considero exatamente o forte da casa.

Pipo Felipe Bronze

Tentei ser elegante e optar pela salada verde com tomates, mas é claro que acabei avançando nos pastéis da outra metade da mesa. A menos que o leitor tenha um tremendo autocontrole, não aconselho cometer tamanha bobagem. Os pastéis da casa são ótimos, especialmente os de carne seca com palmito pupunha e pimenta biquinho, e não merecem a substituição por salada.

Pipo Felipe Bronze  Pipo Felipe Bronze

Já quanto aos PFs, meu lado da mesa foi mais bem-sucedido. Do lado de lá, bife a cavalo, que eu temia ter o mesmo destino dos pastéis e terminar numa disputa de garfos. Não foi o caso. O prato era correto, não mais que isso.

Pipo Felipe Bronze

Nada faria sombra ao soberbo arroz de polvo sobre o qual recaiu minha escolha: polvo tenro, arroz úmido, aïoli saboroso. Uma beleza.

Pipo Felipe Bronze

O prato, que agora está também no cardápio permanente da casa, é das melhores coisas que comi ali.  Por ele, serei capaz de quebrar meu ritual mais vezes.

 

Pipo - Rua Dias Ferreira 64 – Leblon

http://www.piporestaurante.com/

Terça, 25 Fevereiro 2014

A Queijaria, em São Paulo

A Queijaria

Apesar das propaladas mudanças na legislação que regulamenta a circulação de queijos artesanais no país, a verdade é que ainda é mais fácil fazer chegar às nossas mesas bons queijos estrangeiros do que exemplares brasileiros produzidos com leite cru. Há uma longa estrada a percorrer até que se tire da obscuridade os bons produtores artesanais espalhados pelos rincões do país, que enfrentam uma árdua luta contra a falta de conhecimento dos legisladores brasileiros e a falta de cultura do mercado consumidor, como comentei nesse post recente. Mas a esperança de dias melhores se renova diante de iniciativas de pessoas que trabalham pra mudar esse panorama. Gente como Bruno Cabral, da empresa Mestre Queijeiro, e Fernando Oliveira, proprietário da loja A Queijaria, inaugurada em São Paulo no ano passado. Esta última é o assunto do post de hoje.

A Queijaria

Aproveitei a última passagem por São Paulo pra fazer uma visita à loja. Em suas prateleiras, há apenas queijos brasileiros, grande parte deles produzida com leite cru. É merecedor de todos os aplausos o esforço empreendido ali no sentido de jogar luz no trabalho realizado por nossos artesãos. A Queijaria faz muito por eles, mas faz também por nós, consumidores, ajudando-nos a conhecer melhor o que o Brasil tem a nos oferecer e, como consequência, relativizar o discurso que muita gente aprendeu a repetir sem questionar: “Se quiser bom queijo, busque fora, pois no Brasil não há”. Entendam bem, não estou aqui pregando ufanismo. Quem quer que tenha a oportunidade de frequentar boas lojas de queijos no exterior sabe que temos muito a evoluir, inclusive, insisto, no que diz respeito à cultura do consumidor brasileiro. Mas há muita coisa boa sendo feita no país. Por que não ter pelo que é produzido aqui a mesma curiosidade com que nos lançamos a experimentar o que é feito na França ou na Itália?

A Queijaria

A Queijaria

A Queijaria

Nessa minha primeira visita à loja, além de trazer um Canastrinha do Zé Mário, que há muito já frequenta minha mesa, descobri uma pérola que ainda não conhecia: o queijo Catauá, produzido em Coronel Xavier Chaves, Minas Gerais. Se lamentei ter levado tanto tempo pra descobri-lo, por outro lado, agradeci ter encontrado quem me tirasse da ignorância com relação a esse belo exemplar da queijaria brasileira. 

A Queijaria

O que lamento de verdade é não ter por perto uma loja como A Queijaria pra me conduzir a outras joias que, como o Catauá, mereçam ser descobertas. Mas, embora eu não seja propriamente uma otimista convicta, saí dali confiante no surgimento iminente de mais lojas como esta.

A Queijaria - Rua Aspicuelta, 35 - Vila Madalena – São Paulo

https://www.facebook.com/aqueijaria

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