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Segunda, 05 Maio 2014

Noma, o lendário restaurante do chef René Redzepi em Copenhague: minhas impressões

Noma Copenhagen

Estive no Noma cinco dias antes de ser anunciado o retorno do restaurante ao topo da lista dos cinquenta melhores do mundo, segundo a premiação promovida pela revista britânica Restaurant. Algumas pessoas têm me perguntado se é mesmo o melhor do mundo. Não sei se tenho uma boa resposta pra esse tipo de pergunta. O mundo é vasto e sortido demais pra que nós, em nossa limitada capacidade de transitar entre tantos continentes, nos habilitemos a apontar qual seja “o” melhor restaurante do planeta. Posso apenas dizer das minhas impressões, devidamente acomodadas no subjetivíssimo molde de meus gostos e predileções. É sob esse viés que agora conto da experiência que tive na casa comandada pelo chef René Redzepi em Copenhague.

Noma Copenhagen

Posso dizer que foi uma bela experiência, o que teve muito mais a ver com outros fatores do que propriamente com a comida que me foi servida. Foram outras as justificativas da minha satisfação ali. A atmosfera única do lugar. A leveza e a eficiência da equipe e a despreocupação com protocolos típicos de quem persegue estrelas Michelin. A feliz harmonização com vinhos e mesmo o ótimo serviço de café. 

Noma Copenhagen

Noma Copenhagen  Noma Copenhagen

Se quase todos os pratos que passaram por minha mesa eram esteticamente inspirados e reveladores de um admirável trabalho, o mesmo não posso dizer do sabor, o que, pra mim, sempre será um problema. Por mais encantada que eu estivesse com o lugar e com tudo mais que acabo de mencionar, tenho que admitir que a experiência teria sido imensamente melhor se a comida fosse deliciosa.

Dito isso, vou poupá-los de um minucioso e entediante relato e me limitarei a comentar os bocados que mais me agradaram.

O famoso musgo salpicado com pó de cogumelos, das mais emblemáticas criações da casa. Seco e frito, servido com creme fresco caseiro.

Noma Copenhagen

Noma Copenhagen

Biscoitos de queijo, acomodados numa linda lata antiga.

Noma Copenhagen

Torrada com ovas de lumpfish e crocante de pele de pato.

Noma Copenhagen

Deliciosos bolinhos recheados com um refogado de folhas (que me pareceram de espinafre), numa espécie de versão salgada dos Æbleskiver, bolinhos doces típicos do natal dinamarquês. O melhor momento do meu almoço no Noma. Trocaria muitos dos pratos do menu por mais meia dúzia destes. Ao abocanhá-lo, foi como se me transportasse à mesa da avó, em tarde de bolinhos de chuva. O poder da memória afetiva não conhece distâncias. E como é bom quando a comida evoca esse tipo de sentimento.

Noma Copenhagen

Noma Copenhagen

Maçã cozida por horas em suco de sloe berries (ameixas selvagens).

Noma Copenhagen

O ovo, acomodado num belo jardim de folhas, ervas e flores, recebia à mesa um caldo de alho selvagem.

Noma Copenhagen

O turbot, perfeito, uma manteiga, contracenava com delicado creme de raiz-forte.

Noma Copenhagen

Não posso deixar de mencionar o pão da casa, excelente, acompanhado de manteiga e lardo coroado com crocantes de bacon.

Noma Copenhagen

A levíssima sobremesa consistia em purês de ameixa e de batata, além de um creme fresco aromatizado com infusão da amêndoa da fruta. Dispensaria a batata, mas o purê de ameixa e o creme aromatizado com sua amêndoa eram uma delícia.

Noma Copenhagen

Do ótimo serviço de café, destaco, além do próprio café, o clássico danish e o menos ortodoxo, mas ainda mais gostoso crocante de pele de porco com chocolate e berries.

Noma Copenhagen  Noma Copenhagen

Noma Copenhagen

Noma Copenhagen

Ao fim da refeição, era preciso reconhecer mais uma qualidade da cozinha: a capacidade de conceber um longo menu do qual o sujeito saia leve, sem a sensação de ter desafiado os limites de seu corpo. Mas a verdade é que, dos cerca de vinte pequenos bocados do meu almoço, desconfio que poucos ficarão carimbados em minha memória. Difícil não lembrar o que dizia o chef catalão Santi Santamaria: “o sabor é a medida última de um prato”. Ainda não me acostumei a comer conceitos, por mais que isso possa parecer muito moderno. Comida verdadeiramente gostosa sempre me trará mais satisfação.

 

 

Noma – Strandgade 93 - Copenhagen

 http://noma.dk/

 

Segunda, 21 Abril 2014

Você já foi ao Paraíso Tropical? Não? Então, vá.

Paraíso Tropical

A cada vez que revisito o Paraíso Tropical, em Salvador, me vem à lembrança a tarde em que estive ali pela primeira vez. Faz cinco anos e ainda me recordo de cada detalhe como se houvesse sido ontem. É raro uma refeição carimbar a memória desse jeito. Mas nada é mesmo comum ou vulgar na casa de Beto Pimentel. De lá pra cá, estive no restaurante mais um par de vezes. Sempre me despeço com o firme propósito de voltar.

Trata-se de um lugar que encarna como poucos no Brasil o conceito de cozinha de produto. Mais do que trabalhar com matéria-prima de qualidade superior, Beto estabelece um diálogo com um repertório de ingredientes pouco utilizados. Muitos deles são plantados pelo próprio chef, que é também agrônomo. Coisa que pouca gente conhece ele planta, colhe e nos faz descobrir em seus pratos. Pôs biribiri no molho de pimenta, maturi e fruto do dendê em suas moquecas. Deu fama ao licuri.

Paraíso Tropical

Paraíso Tropical

Sua cozinha de ingredientes vai muito além do discurso, diz respeito a uma filosofia de vida. Basta olhar ao redor. Na calçada do restaurante, tem cacaueiro e pitangueira, onde passeiam micos sempre prontos à exibição no horário de almoço. No terreno anexo à casa, ele mantém horta e pomar e cria galinhas. A uns tantos quilômetros dali, tem uma fazenda onde produz muito do que usa. O resultado disso se vê nas mesas de seu restaurante.

Paraíso Tropical

Paraíso Tropical

Como de costume, recorri aos bocados que me levam sempre de volta àquele endereço, admitindo uma ou outra variação. Os deliciosos sucos de frutas. Uma porção de pititinga frita. Farofa feita na manteiga, com uma farinha excepcional, que chega de Nazaré das Farinhas, se não me engano. Os ótimos molhos de pimenta. A soberba mandioca com manteiga de garrafa. As moquecas, que, como já disse aqui antes, são muito particulares, diferentes de todas as outras que você possa ter provado. Conheço baiano que nem admite que se chame de moqueca o que Beto faz. O nome pouco me importa se são as melhores de que tenho notícia.

Paraíso Tropical

Paraíso Tropical

Paraíso Tropical

Paraíso Tropical

Paraíso Tropical

Paraíso Tropical

Depois de tantas linhas já dedicadas à cozinha de Beto Pimentel nesse blog, só me resta uma coisa a dizer: se você ainda não foi ao Paraíso Tropical, então, vá. Lá não tem caruru, lá não tem mungunzá. Mas tem cozinha baiana de um jeito que nenhum outro lugar tem.

 

Paraíso Tropical – Rua Edgar Loureiro, 98-B, Resgate - Cabula - Salvador

www.restauranteparaisotropical.com.br

 

Terça, 08 Abril 2014

Casa de Tereza, em Salvador

Casa de Tereza Salvador

Como disse no post anterior, minha experiência no Casa de Tereza não foi tão feliz como havia sido meu jantar no restaurante de Tereza Paim na Praia do Forte. Eu seria injusta se dissesse que comi mal ali, mas também não posso dizer que tenha me entusiasmado. Nem deixar de observar que ambiente e serviço colaboraram pra comprometer a noite. Talvez tenham até mesmo turvado minha percepção da comida. Afinal, o grau de satisfação com uma refeição envolve fatores que extrapolam o que está no prato.

O serviço confuso, extremamente lento e profundamente ruidoso, contribuiu pra arruinar o ritmo do meu jantar. Quanto ao ambiente, confesso que me soou inadequada a música ao vivo no salão. Talvez lhes pareça ranzinice minha, mas eu observava as bandejas de moquecas e bobós circulando ao som de um pianista tocando “My Way” e me perguntava se não havia alguma desconexão naquela cena.

Dito isso, vamos à cozinha.

Cogitamos revisitar a ótima moqueca que havíamos comido no Terreiro Bahia no dia anterior (os cardápios das duas casas têm muito em comum), mas acabamos decidindo experimentar outras coisas.

O couvert trazia beijus, biscoitos de polvilho e manteiga. Com ele, ótimas farinhas e pimentas que nos acompanharam ao longo de todo o jantar.

Casa de Tereza Salvador

Casa de Tereza Salvador

As telhas de beijus com gratinado de siri não eram más, mas não chegavam a ser boas.

Casa de Tereza Salvador

No quesito frituras, o bolinho intitulado “Negão”, embora um pouco pesado, era muito gostoso: massa de feijão e recheio feito das carnes do feijão processadas com pedacinhos de couve.

Casa de tereza

As lascas de carne de fumeiro eram muito saborosas, mas o caramelo de laranja, doce demais, comprometia o equilíbrio do prato.

Casa de tereza

A maior satisfação da noite veio com o impecável escondidinho de batata baroa com fumeiro. O creme, amanteigado, era um veludo. O recheio, uma delícia. Quase pedi bis.

Casa de tereza

Considero voltar ao Casa de Tereza numa próxima visita a Salvador. Quem sabe, experimentar seu menu degustação da cozinha de santo, que me pareceu interessante. Só torço pra não encontrar os mesmo problemas.

 

Casa de Tereza - Rua Odilon Santos, 45 - Rio Vermelho – Salvador

http://www.casadetereza.com.br/

Segunda, 31 Março 2014

Terreiro Bahia, a casa de Tereza Paim na Praia do Forte

Terreiro Bahia

Tinha apenas um jantar na Praia do Forte. Naturalmente, minha escolha não poderia recair em outro lugar que não a casa da chef Tereza Paim, que ostenta a fama de melhor restaurante da vila.

Me acomodei na varanda, onde a brisa anunciava a noite ideal pra eu saciar minha fome de Bahia com doses generosas de farinha e pimenta.

Começamos com bons bolinhos de moqueca e um pudim de siri ainda melhor.

Terreiro Bahia

Terreiro Bahia

Seguimos com a moqueca de beijupirá, camarão, polvo e banana da terra. O peixe e os frutos do mar pediam menos tempo de fogo, mas, ainda assim, a moqueca estava muito saborosa - o caldo era de comer às colheradas.

Terreiro Bahia

Vinha na companhia de arroz, farofa e um delicioso pirão, mais cremoso que o de costume. Segundo o garçom, além da farinha e do caldo da moqueca, o pirão de Tereza leva leite de coco. Talvez ele, mais do que a própria moqueca, tenha sido a estrela do jantar.

Terreiro Bahia

Nosso fôlego ameaçava não chegar à sobremesa, mas havia quindim no cardápio e eu não pude evitar.

Terreiro Bahia

Com a feliz experiência na memória, na noite seguinte, eu tomaria o rumo do restaurante que a chef inaugurou recentemente em Salvador, o Casa de Tereza. No entanto, ali, as coisas seriam um pouco diferentes. Mas isso é assunto pra outro post.

 

Terreiro Bahia – Avenida ACM, s/n, Praia do Forte, Bahia

http://www.terreirobahia.com.br/

 

Terça, 25 Março 2014

Feira de São Joaquim, em Salvador: peculiar amálgama de exuberância e decadência

Feira de São Joaquim Salvador

Fazia tempo que eu queria conhecer a Feira de São Joaquim. Trata-se da maior feira livre de Salvador, de onde é impossível sair indiferente. Estive ali por cerca de uma hora (o que é muito pouco se considerarmos seu tamanho), em constante estado de assombro.

As instalações são imundas e cheiram mal. Mas, em todo canto, havia beleza esbarrando na feiura, brotando no meio da desordem, ainda que, muitas vezes, sob o véu do estranhamento. Falo do inebriante colorido das pimentas, das frutas, das garrafas de dendê, das montanhas de camarões secos. Dos detalhes da própria arquitetura do lugar - a sujeira e o descuido desbotam, mas não escondem o belo piso de parte da feira e os azulejos que cobrem as paredes de algumas bancas. Das pessoas que povoam o mercado. Da mistura do sagrado com o mundano, tão presente em Salvador e que a feira tão bem sintetiza.

Sentimentos conflitantes me acompanharam ao longo da visita. Ora me impressionava com a riqueza cultural que se manifesta ali, ora me entristecia com o abandono que devora aqueles corredores e as vidas que os habitam. A feira resume o Brasil, um retrato lindo e triste do que somos.

O peculiar amálgama de exuberância e decadência revelava, a cada passo, cenas que capturariam mesmo o olhar mais desatento. As fotos estavam todas ali, prontas. Meu único esforço foi enquadrar e clicar. 

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim

Feira de São Joaquim Salvador

Feira de São Joaquim Salvador

 

Feira de São Joaquim – Avenida Engenheiro Oscar Pontes s/n (estacionamento em frente à feira, na altura do nº 335 da Avenida Jequitaia)

Quarta, 19 Março 2014

Mar Aberto, em Arembepe, e Bar do Souza, na Praia do Forte: pra ver o mar

Praia do Forte

Um dos programas que gosto de fazer quando estou no litoral do Nordeste é comer em bares e pequenos restaurantes à beira-mar. Nem sempre a comida é digna de nota, mas são lugares que revelam um modo de comer particular das praias brasileiras e costumam representar a oportunidade de experimentar coisas que dificilmente encontramos fora das mesas do litoral. No mais, é sempre um bom pretexto para a prática de um dos meus grandes prazeres na vida: ver o mar. Foi o que fiz nos dois endereços que dão título a esse post.

Ao Mar Aberto, em Arembepe (vilarejo a meio caminho entre Praia do Forte e Salvador), cheguei por recomendação de uma amiga baiana. A varanda nos fundos do restaurante emoldura a praia da vila. Poderia passar horas observando aquele cenário, recebendo a bem-vinda brisa que invadia o restaurante.

Mar Aberto Arembepe

Mar Aberto Arembepe

Mar Aberto Arembepe

Começamos com as incontornáveis lambretas. Infelizmente, faltava-lhes sabor.

Mar Aberto Arembepe

Melhor sorte tivemos com a porção de puã, como são chamadas ali as patinhas de caranguejo.

Mar Aberto Arembepe

Bom mesmo estava o bobó de camarão. Trata-se de uma das minhas predileções e estava realmente benfeito. Diferente do que aconteceu com as entradas, o prato conseguiu disputar com o mar nossa atenção.

Mar Aberto Arembepe

Na filial do Bar do Souza, que funciona dentro do centro de visitantes do Projeto Tamar, na Praia do Forte, come-se com os pés na areia, diante de um cenário inspirador.

Bar do Souza Praia do Forte

Bar do Souza Praia do Forte

A única referência que eu tinha do bar eram os famosos bolinhos de peixe, que chegaram na companhia de um delicioso suco de mangaba. Gostosos, de fato, mas o melhor viria em seguida.

Bar do Souza Praia do Forte

Bar do Souza Praia do Forte

A montanha de pititinga frita me traria um dos momentos mais prazerosos à mesa neste começo de ano.

Bar do Souza Praia do Forte

Não sei se foi apenas o fato de os minúsculos peixes estarem tão crocantes e saborosos. Desconfio que a chuva fina, seguida daquela luz ímpar pra qual ainda não inventaram adjetivos, e, ainda, o bônus de um tímido arco-íris tiveram uma parcela de contribuição na felicidade que se instalou em nós naquela tarde.

Bar do Souza Praia do Forte

 

Mar Aberto - Largo São Francisco, 43 - Arembepe – Bahia

http://www.marabertorestaurante.com.br/

Bar do Souza – Dentro do Projeto Tamar, na Avenida Farol Garcia d’Ávila s/n – Praia do Forte - Bahia. Matriz na Avenida ACM s/n.

 

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