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Segunda, 10 Dezembro 2012

Z Deli Sanduíches: melhor evitar o balcão

Z Deli Sanduíches

Quem não conhece a Z Deli Sanduíches pode perfeitamente passar pela pequena entrada, mirar o espaço diminuto, questionar-se se vale a pena esperar por um dos poucos e disputados lugares e acabar seguindo em frente sem suspeitar que ali são feitos alguns dos melhores sanduíches de São Paulo. Eu fui sabendo do que se tratava e disposta a esperar. Nem foi preciso. Milagrosamente, dois lugares no balcão aguardavam por mim.

Gostei de cara da casa. Pequenininha, vibrante, boa música tocando – no tempo que passamos lá, tivemos a companhia de Nina Simone.

Z Deli Sanduíches

Ficar no balcão permite acompanhar de perto o espetáculo. Divertido, mas, ao mesmo tempo, torturante. Sim, porque depois que você faz seu pedido, ainda passa algum tempo vendo a saída de pedidos alheios e se questionando se fez a melhor escolha. Não houve como impedir que se instalasse certa inquietação. Foi assim quando batemos o olho no lindo sanduíche de pastrami...

Z Deli Sanduíches

O mesmo aconteceu enquanto víamos a montagem do sanduíche de língua bovina, que ainda lamento não ter experimentado...

Z Deli Sanduíches

Mas não posso reclamar. Nosso Manhattan burger veio impecável. Ótimo pão, hambúrguer úmido e saboroso, picles deliciosos.

Z Deli Sanduíches

Experimentamos ainda um hambúrguer fora do cardápio, que esteve em cartaz no São Paulo Burger Fest. Intitulado Minetta burger, vinha no pão preto, com cheddar e cebolas com shoyu e mel. Era bom, mas não tão bom quanto o Manhattan.

Z Deli Sanduíches

 Já estávamos na sobremesa, um gostoso cheesecake...

Z Deli Sanduíches

 ...quando vimos sair um bagel com salmão defumado pro senhor que estava sentado ao nosso lado. Não é das minhas preferências, mas estava tão bonito que não pude conter o olhar. Minha companheira de almoço, com ar de quase arrependimento por tê-lo deixado escapar, não segurou o elogio ao pedido do vizinho. O homem achou graça e lançou aquele sorriso de quem já viveu mais, sabe bem o que quer e convive em paz com suas escolhas. O tempo há de nos fazer chegar lá. Por ora, melhor evitar o balcão.

 

Z Deli Sanduíches – Rua Haddock Lobo 1386 - Jardins - São Paulo

Quinta, 06 Dezembro 2012

Tenda do Nilo: simplicidade, despretensão e boa comida

Tenda do Nilo

Fazia tempo que eu me prometia uma visita ao Tenda do Nilo, em São Paulo. Já não aguentava mais ouvir dos amigos: “Você ainda não foi? Ah, precisa ir...” Finalmente, fui.

A casa me soou como uma espécie de boteco árabe: lugar pequeno, simples, sem qualquer pretensão estética, marcado pela presença das donas e pela boa comida. Há quem o considere muito caro, o que iria de encontro à minha definição, mas não me parece exatamente o caso. Os preços, de fato, são altos. Mas as porções costumam ser grandes, suficientes pra aplacar a fome de, pelo menos, duas pessoas. No dia em que estive lá, éramos duas e asseguro que o que havia na mesa alimentaria uma terceira.

Começamos com bons quibe e esfiha.  Seguimos com hummus, baba ganoush, coalhada seca e pasta de pimentão vermelho com nozes, todas deliciosas. A última era especialmente boa.

Tenda do Nilo  Tenda do Nilo

Tenda do Nilo

A couve flor frita com tahine faz jus à fama que tem. Fritura sequinha, perfeita, revela na companhia da pasta de gergelim um resultado que eu não poderia supor fosse tão feliz...

Tenda do Nilo

Enfim, o fatte, um dos pratos mais pedidos da casa. Aqui, vou discordar do que parece ser a opinião geral. A mistura de pão árabe torrado, carne com grão de bico, coalhada fresca, alho e castanha na manteiga não me pareceu bem-sucedida. Coisas demais – e em proporções não muito equilibradas – num prato só. Improvável o diálogo ali...

Tenda do Nilo

O tom voltou a subir com a sobremesa: Mil e Uma Noites. Difícil esperar pouco de uma sobremesa assim batizada. Pra minha felicidade, as expectativas não se frustraram. Um gostoso bolo de semolina recebe camada generosa de delicado creme de nata e, ainda, uma chuva de pistaches. À exceção da calda que ladeava o prato, nada era muito doce; tudo tinha equilíbrio e sutileza.  

Tenda do Nilo

Um lugar aonde, provavelmente, voltaria sempre se vivesse em São Paulo.

 

Tenda do Nilo – rua  Coronel Oscar Porto 638 – Paraíso – São Paulo

http://www.tendadonilo.com.br/

Segunda, 03 Dezembro 2012

Aquim inaugura loja, reformula a filosofia de trabalho e propõe quebra de paradigmas no mercado do chocolate

Aquim

No ano passado, tive a oportunidade de acompanhar Samantha Aquim em visita à Fazenda Leolinda, no sul da Bahia, e entender melhor sua parceria com o cacauicultor João Tavares na busca pelas melhores amêndoas de cacau e pela obtenção de um chocolate que reflita com fidelidade seu sabor. Relatei o que vivenciei e aprendi naquela viagem em uma matéria para a revista Mesa Tendências, em parte reproduzida neste post.

Não vou repetir tudo o que está dito ali, mas lembro que depois de horas de conversas com a chef, ficou muito clara pra mim a inquietação que se instalou nela a partir de sua primeira visita à Leolinda, quando descobriu, ao entrar pela primeira vez em uma casa de fermentação, que o sabor dos chocolates que encontrava no mercado, mesmo os de grande reputação, não guardavam relação alguma com os aromas ali presentes.

Na época da entrevista, Samantha já tinha começado a dar contornos concretos àquela inquietação através da criação um chocolate único, batizado como “Q”, obtido de grãos selecionados de um lote específico daquela fazenda e submetidos a modelos de torra e conchagem que fogem aos padrões vigentes no mercado. Ao preço final de mais de mil reais, uma caixa em madeira alinhava caminhos de degustação em etapas, de forma a distanciar o consumidor do lugar-comum, preparando seu paladar para algo novo – um chocolate que reflete o sabor da fruta de cujas sementes é produzido, a que a chef chamou "Q0". Com design assinado por Oscar Niemeyer, trata-se, sem dúvida, de um produto de luxo, inacessível ao grande público.

Enquanto entrevistava Samantha, não pude deixar de perguntar se o fato de um trabalho tão relevante ter como resultado um produto tão exclusivo não conflitaria com a intenção de mostrar às pessoas que o cacau e o chocolate brasileiros podem estar entre os melhores do mundo. Ela me fez entender que não. Aquele produto encarnava uma história íntima que ela sentia necessidade de contar da melhor maneira possível. Confessou-me que seu lucro com ele era quase nada. E deixou claro que se tratava de um primeiro passo no sentido de noticiar a possibilidade de um chocolate tão especial, tão diferente da maior parte do que se vê no Brasil e no mundo. Sabia que havia um caminho a trilhar a partir dele e muito trabalho pela frente.

 Um ano e meio depois, vejo aquela ideia se materializar. A partir de amanhã, a chef dá um passo definitivo em sua proposta de um novo entendimento do chocolate. Com a inauguração da loja Aquim no shopping VillageMall, dá início a uma nova filosofia de trabalho (que pretende implantar também, ao longo dos próximos meses, na butique da família em Ipanema). Em toda a produção da loja será utilizado, exclusivamente, seu próprio chocolate, fabricado a partir de amêndoas selecionadas por João Tavares na Leolinda, ainda que não tão especiais e únicas como as destinadas ao Q0. Samantha reduzirá consideravelmente sua linha de pâtisserie para privilegiar a venda de chocolate, cujas barras terão preços a partir de R$12,00 – enfim, a acessibilidade prometida.

Numa escala que varia de 55% a 85% de cacau, todos os chocolates da linha têm apenas três elementos em sua composição: líquor (massa que resulta do processamento das amêndoas do cacau), açúcar e manteiga de cacau – sendo o de 85% composto somente de líquor e açúcar. Em nenhum deles haverá acréscimo de leite ou aromatizantes.

A escolha das novas embalagens dos produtos passa pelo propósito que está por trás desse trabalho: desconectar o universo do chocolate da eterna imagem da vaquinha nos pastos suíços e da casa nos Alpes e trazê-lo pra dentro da mata, retratando particularmente a fauna e a flora da região onde está inserida a fazenda Leolinda, berço do "Q". Não posso deixar de lembrar a frase que Samantha repete como um mantra: “Chocolate é cacau e cacau não é neve, é floresta tropical.” 

Fazenda Leolinda João Tavares

Fazenda Leolinda João Tavares

Q Aquim

Fazenda Leolinda João Tavares  Fazenda Leolinda João Tavares

Fazenda Leolinda João Tavares

Q Aquim  Q Aquim

Boutique Aquim no VillageMall – Avenida das Américas 3.900 – loja 107 - Barra da Tijuca 

http://chocolateq.com/

Quinta, 29 Novembro 2012

Decifrando Notting Hill

Notting Hill

Até ano passado, jamais havia incluído Notting Hill na minha rota em Londres. O bairro virou cenário de filme em Hollywood, me pareceu ter ficado turístico demais e, portanto, eu acabava evitando. Finalmente, me dei conta de como era bobo e preconceituoso esse pensamento. Então, dediquei um dia inteiro a ele em minha última visita à cidade, pra ver se me redimia...

Notting Hill

Notting Hill  Notting Hill

Notting Hill

Fui com a intenção de vagar por suas ruas sem destino certo. O dia de céu azul quase irreal inspirava a falta de compromisso. Tinha na bolsa uma lista de endereços gastronômicos a conferir, claro, não consigo evitar. Mas nada além de uns poucos lugares a percorrer no ritmo que as ruas do bairro me levasse. Nada de reservas com hora marcada nem protocolos de restaurantes estrelados – sim, deixei o The Ledbury pra próxima, assim, garanto um bom motivo pra voltar logo.

Comecei a caminhada com uma generosa fatia de bolo na Hummingbird Bakery.

Notting Hill  Hummingbird Bakery

Dali, segui pra The Spice Shop, cujo perfume de especiarias veio me buscar ainda na esquina.

The Spice Shop

The Spice Shop  The Spice Shop

Do outro lado da rua, está a livraria Books for Cooks, que convida a gastar horas entre suas prateleiras.

Books for Cooks

Books for Cooks

Books for Cooks

Para o almoço, escolhi o cultuado bufê do Ottolenghi, onde tudo é fresco e saboroso: dos pães às saladas, passando por tortas e bolos deliciosos. Do rosbife com molho de beterraba e raiz forte à salada de favas gigantes, das abóboras assadas ao bolo de cenoura com nozes, tudo o que comi ali estava muito, muito bom.

Ottolenghi

Ottolenghi  Ottolenghi

Ottolenghi  Ottolenghi

Ottolenghi

Parei ainda pra fazer umas compras na filial londrina da Daylesford, incrível loja nos Cotswolds, que trabalha primordialmente com produtos de sua própria fazenda na região.

Daylesford Organic  Daylesford Organic

Daylesford Organic

No fim da tarde, livre do peso de preconceitos e da tirania dos relógios, fui me espreguiçar no Kensington Gardens, que me parece o desfecho perfeito pra um passeio em Notting Hill. Não imagino liberdade maior que a minha naquele momento. Talvez a da pequena aí na foto, que, afinal, ainda pode sair de tule cor-de-rosa sem se preocupar se exagerou...  

Kensington Gardens

 

Hummingbird Bakery – 133 Portobello Road

http://hummingbirdbakery.com/

 

The Spice Shop – 1 Blenheim Crescent

 

Books for Cooks – 4 Blenheim Crescent

http://www.booksforcooks.com/

 

Ottolenghi – 63 Ledbury Road

http://www.ottolenghi.co.uk/

 

Daylesford - 208-212 Westbourne Grove

http://www.daylesfordorganic.com/engine/shop/index.html

 

 

 

Segunda, 26 Novembro 2012

Brasil Rural Contemporâneo 2012

Brasil Rural Contemporâneo

Foi a leitora Maria das Graças, que sabe das coisas, quem me lembrou que no último fim de semana aconteceria na Marina da Glória a edição 2012 da feira Brasil Rural Contemporâneo. Graças a ela (perdoem o inevitável trocadilho), não deixei cair no esquecimento. Sábado, amanheci lá.

Brasil Rural Contemporâneo

Fiquei impressionada com o tamanho da feira. Passei ali mais de duas horas e, certamente, não dei conta de ver tudo o que havia pra ver. Agricultores, produtores, artesãos de todos os cantos do Brasil lotavam os galpões, vendendo seus produtos. Provei muita coisa e voltei com uma bolsa cheia pra casa: desde farinha de mandioca do Vale do Juruá até embutidos do Rio Grande do Sul, passando por artesanato indígena de Rondônia, doce de leite do Mato Grosso do Sul e melado e açúcar mascavo de produtores de um assentamento no Tocantins. Evidentemente, nem tudo o que vi era de grande qualidade, mas havia muita coisa boa pra quem quisesse procurar.

Brasil Rural Contemporâneo

Brasil Rural Contemporâneo  Brasil Rural Contemporâneo

Brasil Rural Contemporâneo

 Brasil Rural Contemporâneo Brasil Rural Contemporâneo

Brasil Rural Contemporâneo

Brasil Rural Contemporâneo  Brasil Rural Contemporâneo

Brasil Rural Contemporâneo

Brasil Rural Contemporâneo  Brasil Rural Contemporâneo

 É claro que o melhor da produção artesanal brasileira a gente encontra é botando o pé na estrada, isso não se discute. Mas me parece digna de aplausos uma iniciativa como essa. Reunir num mesmo espaço tantos Brasis. O país mostrando sua cara através de cada um daqueles produtores, conscientizando as pessoas da importância da agricultura familiar.

A quem ainda não conhece o evento recomendo não perder uma próxima edição.

Sexta, 23 Novembro 2012

Alvorada: um quintal, um riacho, um forno a lenha

Restaurante Alvorada

Não sei se restaurante é a palavra mais adequada pra classificar o Alvorada, em Araras. “Pouso” talvez estivesse mais de acordo com a atmosfera do lugar, que tem a cara dos donos – Paulão e Márcia, que o comandam há mais de duas décadas - e jeito de casa. Não qualquer casa, mas uma daquelas com forno a lenha na cozinha, um belo quintal nos fundos e um riacho no horizonte. Lugar aonde se vai pra ser acolhido, mais do que alimentado.

Restaurante Alvorada

Restaurante Alvorada

Restaurante Alvorada  Restaurante Alvorada

Restaurante Alvorada

Restaurante Alvorada

O tanto de passarinhos e borboletas que cercaram nossa mesa durante um almoço no último fim de semana já teria compensado a ida até lá. Mas há também boa comida. Concentramos a maior parte dos pedidos no que vinha do forno a lenha e me parece mesmo que é dele que sai o que a casa tem de melhor a oferecer.

Restaurante Alvorada

Restaurante Alvorada

Os bolinhos de truta que abriram o almoço, se não eram ruins, também não chegavam a ser bons. A partir dali, tudo melhorou. A rabadinha da entrada dispensava garfo e faca. Podia-se comer de colher, como já havia advertido Paulão.

Restaurante Alvorada

Restaurante Alvorada  Restaurante Alvorada

Seguimos com uma bela paleta de cordeiro, que dorme no forno de um dia pro outro, acompanhada de um ótimo purê de aipim. Ainda, deliciosos legumes assados: cenoura, beterraba, abóbora, batata, inhame, batata baroa, cebola, alho... Até banana tinha e estava especialmente boa.

Restaurante Alvorada

Restaurante Alvorada

A sobremesa, bananas caramelizadas com gengibre e sorvete, estava gostosa, embora viesse acomodada numa incompreensível cesta de pão sírio e não valesse os quase R$30,00 cobrados por ela.  Mas eu estava tão feliz ali que isso pouco me importou...

Restaurante Alvorada

Um quintal, um riacho, um forno a lenha.  Pode ser simples a fórmula pra uma tarde perfeita.

Restaurante Alvorada

 

Alvorada – Estrada Bernardo Coutinho 1655 – Araras – Petrópolis. Tel. 24 22251118

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