Pra quem quiser me visitar....
  • Oficina do Sabor, em Olinda
  • Marie-Anne Cantin: todo dia é dia de queijo
  • Mercat de Santa Caterina, em Barcelona
  • Cozinhando Escondidinho, no Recife
  • Mini Palais: Eric Frechon no Grand Palais
  • Bar Mut, em Barcelona: frutos do mar incríveis, serviço incrivelmente hostil
  • Alkimia: a casa do chef Jordi Vilà em Barcelona
  • Bubble Bar: encontrei meu lugar no Bazzar
  • Abri, em Paris: não se deixe enganar pela fachada
Quarta, 10 Outubro 2012

De volta a Belém

Belém Pará

Há duas coisas sem as quais não sinto que estou em Belém: uma visita ao Ver-o-Peso e o primeiro sorvete de açaí na sorveteria Cairu, de preferência, na filial da Estação das Docas.

Como já disse aqui antes, num primeiro momento, o Ver-o-Peso pode causar espanto pela sujeira e pelo descuido. Mas mais espanto causa pelas maravilhas que há ali. Não é difícil entender o porquê de, apesar de toda a desordem, chefs brasileiros e estrangeiros se encantarem com aquele lugar. Há algo muito brasileiro naquilo tudo, no pior e no melhor sentido. Desde a bagunça que impera até a natureza de beleza acachapante que emoldura o mercado, passando pela arquitetura do entorno e pelo jeito da gente que trabalha ali. Se tenho razão não sei, mas não concebo Belém sem aquele mercado.

Belém Ver-o-Peso

Belém Ver-o-Peso

Belém Ver-o-Peso

Aproveito pra fazer meu estoque de farinha, paro pra beber um suco de frente pro rio – lamentavelmente, quase sempre de polpas congeladas – e tento aprender os nomes de mais algumas frutas que não conheça. Dessa vez, descobri ingá, buriti e bacaba na famosa banca da dona Carmelita, onde já havia estado ano passado.

Belém Ver-o-Peso

Belém Ver-o-Peso

Belém Ver-o-Peso

Belém Ver-o-Peso

Belém Ver-o-Peso

A sorveteria Cairu, fabricante dos mais deliciosos sorvetes de frutas do país, é outro programa fundamental na minha chegada. Sigo um ritual. O primeiro e o último sorvete da viagem – e há sempre muitos deles, ainda que a viagem seja curta –, hão de ser de açaí (puro ou com farinha de tapioca). Entre um e outro, sigo provando novos sabores e revisitando alguns já familiares. Tapioca, castanha do Pará e bacuri são obrigatórios. Entre os ainda desconhecidos, me aventurei agora pelo de bacaba, cujo gosto me fez lembrar castanhas portuguesas...

Belém Estação das Docas

Sorveteria Cairu

Sorveteria Cairu  Sorveteria Cairu

Sorveteria Cairu  Sorveteria Cairu

São duas facetas de Belém que eu não dispenso. Enquanto não faço uma coisa ou outra, é como se não estivesse lá.

 

Mercado Ver-o-Peso – Boluverd Castilhos França S/N

Sorveteria Cairu - Boulevard Castilhos França, 707 - Estação das Docas. Outros endereços no site: http://www.sorveteriacairu.com.br/

Segunda, 08 Outubro 2012

Maní: cada vez melhor

Maní

A cada retorno ao Maní, aumenta minha convicção de estar diante do que considero um restaurante perfeito – ou quase perfeito, se entendermos que perfeição é meta inalcançável. 

Já disse isso em outras oportunidades, mas não me canso de repetir: acho admirável a sabedoria que tiveram Helena Rizzo e Daniel Redondo em tirar a seriedade do salão e acomodá-la inteiramente onde, de fato, é fundamental: na cozinha. O resultado é coisa rara: come-se muitíssimo bem num ambiente leve, nada burocrático, absolutamente desprovido de afetação.

Maní

Maní

A comida é tudo o que se pode esperar de um grande restaurante: pratos inspirados, esteticamente impecáveis e sempre saborosos. Não digo que não possa acontecer, mas, particularmente, jamais vi ali um prato em que sobrasse conceito e faltasse sabor. A dupla de chefs cria, ousa, mas sabe fazê-lo sem transformar o ingrediente algo que ele não queira ser.

Dito isso, vocês podem imaginar minha felicidade num almoço recente na casa, quando, acomodada no poético quintal, tive a sorte de dividir a mesa com dois amigos tão comilões quanto eu, que aceitaram minha proposta de que compartilhássemos todos os pratos. E não foram poucos.

Maní  Maní

Começamos com um trio de entradas. O frescor e a doçura da sopa fria de jabuticaba com camarões no vapor de cachaça. Depois, nhoques de mandioquinha e araruta em dashi de tucupi, prato de impressionante equilíbrio e delicadeza. Enfim, o calor e o conforto de uma soberba canja coroada por um belo ovo a baixa temperatura.

Maní  Maní

Maní  Maní

Maní  Maní

Seguimos com o peixe do dia, cherne fresquíssimo, acompanhado de cebolas e batatas-doces na brasa e coalhada de leite de cabra. Ainda, o famoso “Maniocas”, que eu jamais havia provado: raízes e tubérculos assados (cenoura, beterraba, mandioquinha, inhame) com espuma de tucupi e leite de coco. O tucupi quase não se notava, mas o prato era extremamente saboroso e revelava o melhor de cada elemento.

Maní

Maní

Na bochecha de boi com mandioquinha e terra de banana nanica, o único senão do almoço. Embora a textura da carne estivesse impecável, praticamente não havia sal. Difícil evitar a comparação com o próprio Maní, onde comi em visita anterior, uma das melhores bochechas de boi de que me recordo.

Maní

As sobremesas são um capítulo especial no Maní. É raro encontrar, no Brasil, restaurantes onde a confeitaria seja tratada com a mesma atenção que os chefs dispensam à cozinha salgada. A casa de Helena e Daniel é uma exceção à regra. Tanto que nosso primeiro pedido, um tanto contido, sofreu uma emenda no meio do caminho e, em vez de duas, acabamos por compartilhar quatro sobremesas.

Começamos com aquela intitulada “Da Lama ao Caos”, tão deliciosa quanto inusitada. Doce de berinjela defumada, coalhada de leite de cabra, pistaches caramelizados, sorvete de gergelim preto. 

Maní

Em seguida, uma gostosa versão do tradicional Rei Alberto - purê de ameixas, doce de ovos, creme de baunilha, morangos, suspiro. E um flan de queijo Canastra com sorbet de goiaba.

Maní  Maní

Não resistimos a encerrar com “O Ovo”, clássico do Maní, sobremesa à qual retorno sempre que tenho oportunidade: sublime sorvete de gemada mergulhado em espuma de coco.

Maní

Não sei se seria capaz de apontar, hoje, um restaurante melhor no Brasil.

 

Maní – Rua Joaquim Antunes 210 – Pinheiros

http://www.manimanioca.com.br

Quarta, 03 Outubro 2012

A nova Jelly Bread, padaria/confeitaria anexa ao Girarrosto

Jelly Bread

É tão difícil encontrar padarias e confeitarias verdadeiramente boas no Brasil que, quando tenho notícia de uma, vou atrás. Em se tratando de uma casa que tem no comando a chef Amanda Lopes, vou correndo. Amanda é uma das poucas confeiteiras brasileiras em que se vê o perfeccionismo e a precisão que o ofício impõe em outras paragens. Quando soube, há poucos meses, que estava à frente da seção de pâtisserie da nova Jelly Bread, a padaria/confeitaria anexa ao restaurante Girarrosto, decidi que visitaria a loja na primeira oportunidade.

O pequeno espaço, de frente pra barulhenta avenida Cidade Jardim, não é exatamente acolhedor. Morasse eu em São Paulo, optaria por me abastecer ali e comer em casa. Como não moro, me acomodei numa das poucas mesas.

O primeiro pedido eu já tinha de cor: mil folhas. Optei pelo de banana, que tinha a massa caramelizada, do jeito que eu gosto. No recheio, uma camada de ótimo creme de confeiteiro (com baunilha de verdade) e um doce de banana que me pareceu artificial, um tantinho enjoativo. A massa, absurdamente crocante, era perfeita. Talvez seja a única por aqui a se aproximar daquele que é meu mil-folhas favorito, o do pâtissier Jacques Genin, em Paris.

Jelly Bread  Jelly Bread

Podia ir embora e estaria satisfeita, mas como não sabia quando voltaria ali, experimentei também o sonho da casa. Sequinho, massa fofa e o mesmo delicioso creme de confeiteiro no recheio.

Jelly Bread

Não resisti e levei ainda um belo pain au chocolat e um soberbo quindim pro dia seguinte. Confesso que o quindim não sobreviveu tanto tempo e acabou virando jantar naquele mesmo dia...

Jelly Bread

Jelly Bread

 

Jelly Bread – Av. Cidade Jardim 56-60 – Jardim Paulistano

http://www.jellybread.com.br/

Segunda, 01 Outubro 2012

DOM: Reino Vegetal por Alex Atala

DOM Alex Atala

Desde minha última visita ao DOM, tinha curiosidade de experimentar o Menu do Reino Vegetal, criado por Alex Atala há alguns anos. Pra mim, um menu cujo grande mérito está em tratar mandioca, batata baroa, palmito pupunha com a mesma deferência que naturalmente se dispensa a ostras, patos ou codornas.

Gostei mais de certas coisas, menos de outras, mas, de modo geral, o que vi foi um percurso por pratos sutis, arquitetados em torno de poucos elementos. Sem excessos, nada fora de lugar.

De amuse bouche, soberbo mil-folhas de mandioca sobre catupiry, acompanhado de espumante com licor de jabuticaba.

DOM Alex Atala  DOM Alex Atala

Iniciando o menu, o gel de tomates verdes com brotos e flores é um prato de incontestável beleza. Mas me pareceu mais bonito do que bom.

DOM Reino Vegetal

O arroz negro tostado com legumes verdes e leite de castanha do Pará, um belo prato em todos os aspectos: o sabor, a textura do arroz, a crocância dos vegetais, todos em ponto perfeito.

DOM Reino Vegetal

Em seguida, a delicadeza do fettuccine de pupunha em manteiga e sálvia, com abobrinhas e uma deliciosa farofa de pipoca – havia lido algumas vezes que se trata de canjiquinha frita e processada, mas o garçom me garantiu ser piruá processado...

DOM Reino Vegetal

O champignon de Paris vinha tostado por fora, mantendo-se cru o interior. Ainda melhor que o cogumelo era a mandioquinha defumada que o acompanhava, que já tinha me marcado quando a experimentei no prato em que coadjuvava - coadjuvava? - uma bela raia.

DOM Reino Vegetal

Enfim, aquele que talvez seja o melhor dos pratos do menu: batata doce com um béarnaise de chimarrão que, além de surpreendente, é absurdamente bom. Já havia experimentado o prato em outra ocasião, mas confesso que ainda não tinha me causado o que causou neste último almoço.

DOM Reino Vegetal

Após o habitual aligot, os famosos raviólis gelatinosos de limão e banana ouro com caramelo de priprioca. Leveza e frescor numa bela sobremesa. Lamentei não haver mais alguns pares deles...

DOM Reino Vegetal

O derradeiro ato foi uma revisita: bolinho de castanha do Pará, sorvete de whisky, calda de chocolate e curry. O bolo não era tão bom como no último encontro. Inexpressivo, pra ser exata. Já o excelente sorvete me pareceu ainda melhor do que me indicava a memória.

DOM Alex Atala

Uma refeição sem senões, como, afinal, costumam ser sempre as refeições ali, se falamos do ponto de vista do conceito e da execução. Mas, novamente, uma refeição que me soou mais linear do que eu gostaria que fosse. Poucos momentos de verdadeiro entusiasmo.

Contrariando o que parece ser a opinião geral, confesso que jamais tive no DOM a sensação de estar diante do melhor restaurante do Brasil. O que não abala, nem por um segundo, minha certeza de que é um grande restaurante. Mais que isso: um restaurante fundamental no quadro da evolução da moderna cozinha brasileira.

 

DOM - Rua Barão de Capanema 549 - Jardins

http://www.domrestaurante.com.br/

Quinta, 27 Setembro 2012

Mercadinho Dalva e Dito

Mercadinho Dalva e Dito

Semana passada, passando em frente ao Dalva e Dito, aproveitei e parei pra conhecer o mercadinho que Alex Atala inaugurou há pouco tempo, anexo ao restaurante. Confesso que fui um pouco ressabiada, me perguntando se um mercado com cara de venda do interior, fincado nos Jardins, não soaria falso, fora de contexto. Mas não. Gostei do que vi: da concepção do projeto à variedade e qualidade dos produtos expostos nas prateleiras. Trata-se de um mercadinho brasileiro, com direito a carrinho de pipoca e frangos dourando na televisão de cachorro logo na entrada. Tudo bem, eu sei que o carrinho de pipoca pode soar cenográfico, mas acho que tem lá sua poesia. E o que interessa mesmo é tudo mais que se pode acessar ali.

Mercadinho Dalva e Dito

Mercadinho Dalva e Dito

Mercadinho Dalva e Dito  Mercadinho Dalva e Dito

Nas prateleiras, há um pouco de cada canto do Brasil: guaraná Jesus, doce de leite Aviação, melado de cana e rapadura do Sítio J.J., bolo de rolo da Casa dos Frios, produtos do projeto Retratos do Gosto, como o mini arroz produzido por Francisco Ruzene no Vale do Paraíba, entre muitas outras coisas. Há, ainda, pratos pra levar pra casa na quentinha, como bife à milanesa e salada de batata. E também a ótima linha de pães e bolos da padaria de Alex, Em Nome do Pão.

Mercadinho Dalva e Dito

Mercadinho Dalva e Dito  Mercadinho Dalva e Dito

Mercadinho Dalva e Dito

Mercadinho Dalva e Dito

Mercadinho Dalva e Dito  Mercadinho Dalva e Dito

Não resisti à rapadura do Sítio J.J., uma beleza. Comprei, ainda, um delicioso bolo de chocolate com pedaços de banana. E me arrependo até agora de não ter trazido o pão de calabresa que roubava a cena no balcão...

 

Mercadinho Dalva e Dito - Rua Padre João Manuel 1115 - Jardim Paulista

Terça, 25 Setembro 2012

Casa nova

Nunca tinha ficado tanto tempo sumida deste blog. Mas como vocês devem estar percebendo, foi por um bom motivo. Há muito tempo vinha trabalhando pra botar no ar a nova versão do Pra Quem Quiser Me Visitar. As duas últimas semanas foram especialmente cansativas. Muito trabalho pra finalizar a migração do conteúdo, acertar detalhes, fazer testes. Mas, enfim, a nova casa está pronta. Ou quase pronta.

Embora aparentemente seja uma simples reforma - afinal, como vocês veem, o endereço do site permanece o mesmo -, no fundo, por trás de tudo isso, está um verdadeiro processo de mudança. Foi preciso migrar os posts, inserir tags, recriar categorias. Enfim, trocamos toda a mobília de lugar. Algumas coisas ficaram pelo caminho – como os preciosos comentários dos leitores, que, infelizmente, não conseguimos migrar junto com os posts –, outras ainda falta ajeitar. Mas, como acontece quando a gente muda de casa, em dado momento, é preciso entrar na marra e assumir a nova morada. Mesmo que os quadros ainda estejam fora de lugar e os vasos sem flores.

O que importa é que a mudança é pra melhor. O antigo blog foi crescendo, os índices ficando bagunçados – confesso que até eu, às vezes, me perdia na bagunça. Então, ultimamente, vinha reunindo as reclamações mais frequentes dos leitores e fazendo um registro do que precisava mudar pra tornar mais fácil a vida de quem navega nesse site fazendo dele uma fonte de pesquisa, o que percebi que é o caso de muitas pessoas. Grande parte do conteúdo anterior continua disponível no novo portal.  A diferença é que, agora, os índices estão organizados por destinos. Há um espaço pra busca por palavras de interesse. Os posts poderão ser compartilhados e as atualizações, recebidas por e-mail.

É só chegar que a casa é sua. Sejam bem-vindos.

Tags:
© 2012 Pra quem quiser me visitar - Todos os direitos reservados - Design de Branca Escobar

Envie para um amigo:

*
*

Fale comigo:

*

Assinar Newsletter:

Remover email: