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Sexta, 16 Janeiro 2015

Aldeia Beijupirá, na Praia do Laje: só penso em voltar

Praia do Laje

Sou bicho urbano. Meu bem-estar físico e mental depende da existência de cinemas, supermercados, livrarias e restaurantes num raio de cinco quilômetros de onde eu me encontre. Como ninguém é uma coisa só, parte de mim entra em conflito com essa excessiva dependência da urbe e suplica por hiatos de silêncio e contemplação. Tento não contestar quando essa urgência se manifesta. Mas tais intervalos não costumam durar mais do que um fim de semana. Isso explica por que o segundo pensamento que me ocorreu ao chegar à Praia do Laje (depois de: “meu Deus, que lugar!”) foi: “o que é que eu vou fazer aqui durante quatro dias?”. Não demoraria muito pra que aquela preocupação fosse solapada por outra: encontrar uma forma indolor de me despedir.

Aldeia Beijupirá

A praia é uma das mais bonitas do litoral alagoano. Não bastasse isso,  há o fato de permanecer quase deserta durante a maior parte do ano. Nesse cenário, a pernambucana Adriana Didier e o português Joaquim Santos ergueram a Aldeia Beijupirá com simplicidade e bom gosto, uma construção que não se sobrepõe à paisagem, mas dialoga com ela. Tudo é permeado por tremenda brasilidade e cada detalhe, desde a música até o impecável serviço (agradecimento especial a um sorriso chamado Letícia), é pensado pra oferecer ao hóspede uma experiência única.

Aldeia Beijupirá

Aldeia Beijupirá

Aldeia Beijupirá

Aldeia Beijupirá

Aldeia Beijupirá

Aldeia Beijupirá

Aldeia Beijupirá

Aldeia Beijupirá

Embora eu tivesse um carro à minha disposição, faltou-me motivação pra ir conhecer praias vizinhas. Por que sair de um lugar onde a felicidade era certa e me arriscar em direção a outras paragens? Meus dias eram assim: acordava, tomava café, caminhava, dava um mergulho, nadava, lia, tirava um cochilo na rede, lia mais um pouco. Nessa toada, acabei fazendo praticamente todas as refeições na pousada. Confesso que os pratos mais substanciosos e, digamos, mais inventivos, não me entusiasmaram. Fui mais feliz com os petiscos, companhia providencial em uma das atividades a que mais me dediquei durante a temporada: observar o mar. Coisas como pastéis de camarão, agulha frita, ensopadinho de aratu, nacos de macaxeira.

Aldeia Beijupirá

Aldeia Beijupirá

Aldeia Beijupirá

Aldeia Beijupirá

Mas a refeição mais esperada era a primeira do dia, que me fazia deixar a cama sem protelação, coisa rara. No delicioso café da manhã, eu apontaria um único senão: o fato de não haver mais frutas locais na seleção diária. Houve, no entanto, muitas e grandíssimas compensações: ovo no pão, queijo de coalho na chapa, extraordinários pães de queijo (dos melhores que comi no Brasil), tapioca, bolo, panquecas e geleias. Entre os pequenos mimos que mudavam diariamente, as bananas douradas com açúcar e canela e os bolinhos de estudante mereciam lugar definitivo no cardápio.

Aldeia Beijupirá

Aldeia Beijupirá

Aldeia Beijupirá

Aldeia Beijupirá

Aldeia Beijupirá

Aldeia Beijupirá

O bicho urbano sobreviveu à experiência, mas saiu dali com suas convicções seriamente abaladas.

 

Aldeia Beijupirá - www.aldeiabeijupira.com.br/

 

Terça, 16 Dezembro 2014

Rota da Mandioca: o Pará à mesa

Como eu dizia no último post, o melhor de fazer um roteiro no Pará como o que fiz a convite de Ricardo Frugoli, foi a possibilidade de conhecer lugares e pessoas que o turista comum geralmente não acessa, vivenciar experiências que não costumam estar no script. Justamente por isso, alguns dos nossos momentos à mesa, em Belém e no interior do estado, foram mais do que simples refeições e nos permitiram instantes de rara intimidade com a cultura do lugar.

Foi assim no almoço na casa de Seu Bené. Como contei aqui, passamos com ele quase um dia inteiro, numa visita que começou no mandiocal e acompanhou a produção artesanal de farinha e a fabricação de paneiros. Sua esposa preparou pra nós um almoço simples e delicioso, que compartilhamos acomodados ao lado do forno onde ele trabalha diariamente. Ensopado de galinha caipira com abóbora e mandioca, arroz, feijão e, claro, farinha. Houve ainda um pirão que merece menção especial. Feito com o caldo da galinha, está entre os melhores que já comi. Tão bom que acabou antes mesmo que eu tivesse chance de fotografar.

Outra experiência ímpar foi a oportunidade que tivemos de entender melhor como os belenenses celebram o Círio de Nazaré. Fomos recebidos por dona Luzinete, que Ricardo conheceu através das muitas entrevistas que fez com famílias locais a respeito das tradições culinárias do Círio. Ao longo da tarde que passamos em sua casa, os dois prepararam pra nós alguns dos clássicos da festa paraense: maniçoba, pato no tucupi e arroz paraense, este último feito com os mesmos ingredientes do tacacá: camarão seco, tucupi, jambu, alfavaca, chicória.

Círio de Nazaré

Círio de Nazaré

Círio de Nazaré

Igualmente memorável foi nossa última refeição em Belém. Após madrugarmos na feira do açaí, seguimos, noite ainda, pra um passeio pelo rio Guamá e seus afluentes. Ao amanhecer, tomamos o rumo da Saldosa Maloca (assim, com L mesmo), restaurante na ilha do Combu, de onde se avista, ao longe, a cidade.  Já havia almoçado ali em visita anterior, como contei nesse post. Mas desta vez foi diferente.

Rio Guamá

Furo do Maracujá

Saldosa Maloca

Saldosa Maloca

O lugar não abre ao público no café da manhã, mas a proprietária, dona Neneca, estava lá especialmente pra nos receber. E nos acolheu com sucos de cupuaçu e acerola, pupunha cozida, açaí na tigela, mingau de tapioca, doce de cupuaçu e um bolo de macaxeira que é dos melhores de que tenho notícia. Depois, ainda nos acompanhou numa caminhada aos fundos da propriedade, onde há pés de cupuaçu, açaizeiros e imponentes samaumeiras.    

 

  

Em refeições como essas, a comida assume um valor muito maior que o de apenas alimentar. Cumpre o papel de esquadrinhar a relação das pessoas com o cenário onde vivem, revelando uma das perspectivas mais profundas pelas quais se pode descobrir um lugar: a de sua cultura alimentar.

 

Rota da Mandioca – informações com Ricardo Frugoli através do e-mail reservas@laboratoriodosabor.com.br

 

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