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Segunda, 20 Maio 2013

Esquina Mocotó, a nova casa do chef Rodrigo Oliveira em São Paulo

Esquina Mocotó Rodrigo Oliveira

Em março do ano passado, em visita ao Engenho Mocotó, soube do novo restaurante que o chef Rodrigo Oliveira planejava abrir na Vila Medeiros, na mesma rua que abriga o Mocotó. Rodrigo e seu parceiro constante na cozinha do Engenho, o chef Julien Mercier, me contaram, então, sobre os testes de pratos que já realizavam àquela altura. A curiosidade se instalou. Convivi com ela por mais de um ano. Semana passada, após alguns adiamentos e algumas mudanças no conceito original, a casa foi finalmente inaugurada.

O Esquina Mocotó é, pra dizer o mínimo, uma iniciativa corajosa. Rodrigo, que considero um dos mais talentosos chefs em atuação no Brasil, conquistou todos os louros depois de assumir o comando do restaurante do pai, o Mocotó, um dos meus favoritos no país. Podia deitar em berço esplêndido, mas optou por sair da zona de conforto. Ousou abrir, exatamente ao lado do consagrado restaurante da família, um novo espaço, com conceito bastante diferente do primeiro. O catalisador das ideias ali esquadrinhadas me parece ser a mesma brasilidade que sempre o conduziu em suas intervenções no Mocotó. Mas o horizonte aqui é outro. Livre dos parâmetros de uma cozinha regional, o chef assimila um universo maior de referências e digere essa brasilidade a partir de uma perspectiva própria, com liberdade para conceber um trabalho mais autoral.

Esquina Mocotó Rodrigo Oliveira

Estive lá, como convidada num jantar fechado, organizado pela jornalista Alexandra Forbes, onde Rodrigo apresentou uma prévia do novo trabalho. Portanto, no relato que faço agora, não tenho a pretensão de uma análise crítica. Quero voltar em breve, num dia de funcionamento normal do restaurante, para, então, poder tirar maiores conclusões. Por ora, apenas compartilho aqui um pouco do espírito do Esquina Mocotó.

O enxuto cardápio, que tem na qualidade do produto sua maior estrela, sofrerá mudanças semanalmente ou de tempos em tempos. Nele, o único prato importado da carta do Mocotó são os incontornáveis dadinhos de tapioca com queijo coalho.

Esquina Mocotó

A entrada batizada de “A Porcaria” é senha de felicidade para quem, como eu, for amante de carne de porco. Uma tábua de madeira traz salame, presunto cru de Catanduva, terrine de porco, picles de cebola, compota de cebola roxa e uma nova versão dos dadinhos, em que se adiciona carne de porco à receita. Sim, ainda tinha como ficar melhor...

Esquina Mocotó

Não deu pra ir em frente sem pedir bis.

Experimentamos, ainda, pratos como o tutano com vinagrete de língua, acompanhado de pães feitos na casa...

Esquina Mocotó

A saborosa panelinha de moela...

Esquina Mocotó

O ovo mole com cogumelos, legumes e caldo de galinha...

Esquina Mocotó

Os delicados nhoques de mandioca com quiabo, tucupi e queijo de cabra.

Esquina Mocotó

Encerramos com o frescor do ótimo sorvete de cajá em purê de manga.

Esquina Mocotó

Deixo aqui uma confissão. Embora, racionalmente, soubesse ser improvável, alimentava a expectativa de encontrar na carta a deliciosa cartola do Mocotó – pra mim, sua melhor sobremesa. Nem em Pernambuco experimentei tão boa. Tornou-se obrigatória nas minhas visitas à casa, tanto quanto os famosos dadinhos. Não foi dessa vez. Quem sabe na próxima visita?

 

Esquina Mocotó – Av. Nossa Senhora do Loreto 1108 – Vila Medeiros - São Paulo

Terça, 14 Maio 2013

Bolo de rolo na Casa dos Frios e tapioca no Alto da Sé: comendo símbolos

Não se pode conceber uma visita ao Recife sem uma parada na Casa dos Frios para comprar bolo de rolo. Um dos maiores símbolos da doçaria pernambucana – e dos meus grandes vícios na vida – ganha ali sua versão mais famosa. Não à toa. Particularmente, não me recordo de já ter experimentado um exemplar que revelasse maior equilíbrio entre as finíssimas camadas de massa e o delicado recheio de goiabada. E confesso que essa comparação é exercício ao qual sou capaz de me entregar indefinidamente.

Tão obrigatória quanto o bolo de rolo é a queijadinha feita ali. Nos fornos da Casa dos Frios, recebe tratamento impecável: casquinha crocante, recheio úmido, bordas caramelizadas. Impossível comer uma só.

Casa dos Frios

Na vizinha Olinda, outro endereço incontornável na rota dos pequenos bocados. A tapioca, patrimônio imaterial e cultural da cidade, é preparada diariamente pelas tapioqueiras que se reúnem todo fim de tarde em frente à Igreja da Sé. Embora minha preferência seja a massa mais fina do que a que elas costumam fazer ali, não há como não se render. Onde quer que estivessem, seria um prazer acompanhar o habilidoso balé das mãos experientes e depois devorar uma tapioca quentinha. Mas é impossível negar que, diante daquele cenário, a experiência ganha outra dimensão.

Alto da Sé Olinda

Alto da Sé Olinda

tapioca Alto da Sé

tapioca Alto da Sé

 

Casa dos Frios - Avenida Rui Barbosa, 412 – Graças / Av. Eng. Domingos Ferreira, 1920  - Boa Viagem

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