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Quarta, 10 Outubro 2012

De volta a Belém

Belém Pará

Há duas coisas sem as quais não sinto que estou em Belém: uma visita ao Ver-o-Peso e o primeiro sorvete de açaí na sorveteria Cairu, de preferência, na filial da Estação das Docas.

Como já disse aqui antes, num primeiro momento, o Ver-o-Peso pode causar espanto pela sujeira e pelo descuido. Mas mais espanto causa pelas maravilhas que há ali. Não é difícil entender o porquê de, apesar de toda a desordem, chefs brasileiros e estrangeiros se encantarem com aquele lugar. Há algo muito brasileiro naquilo tudo, no pior e no melhor sentido. Desde a bagunça que impera até a natureza de beleza acachapante que emoldura o mercado, passando pela arquitetura do entorno e pelo jeito da gente que trabalha ali. Se tenho razão não sei, mas não concebo Belém sem aquele mercado.

Belém Ver-o-Peso

Belém Ver-o-Peso

Belém Ver-o-Peso

Aproveito pra fazer meu estoque de farinha, paro pra beber um suco de frente pro rio – lamentavelmente, quase sempre de polpas congeladas – e tento aprender os nomes de mais algumas frutas que não conheça. Dessa vez, descobri ingá, buriti e bacaba na famosa banca da dona Carmelita, onde já havia estado ano passado.

Belém Ver-o-Peso

Belém Ver-o-Peso

Belém Ver-o-Peso

Belém Ver-o-Peso

Belém Ver-o-Peso

A sorveteria Cairu, fabricante dos mais deliciosos sorvetes de frutas do país, é outro programa fundamental na minha chegada. Sigo um ritual. O primeiro e o último sorvete da viagem – e há sempre muitos deles, ainda que a viagem seja curta –, hão de ser de açaí (puro ou com farinha de tapioca). Entre um e outro, sigo provando novos sabores e revisitando alguns já familiares. Tapioca, castanha do Pará e bacuri são obrigatórios. Entre os ainda desconhecidos, me aventurei agora pelo de bacaba, cujo gosto me fez lembrar castanhas portuguesas...

Belém Estação das Docas

Sorveteria Cairu

Sorveteria Cairu  Sorveteria Cairu

Sorveteria Cairu  Sorveteria Cairu

São duas facetas de Belém que eu não dispenso. Enquanto não faço uma coisa ou outra, é como se não estivesse lá.

 

Mercado Ver-o-Peso – Boluverd Castilhos França S/N

Sorveteria Cairu - Boulevard Castilhos França, 707 - Estação das Docas. Outros endereços no site: http://www.sorveteriacairu.com.br/

Segunda, 09 Maio 2011

Mercado Ver-o-Peso: raio-X do Brasil

Mercados de rua são quase sempre uma bela maneira de se entrosar com a cultura gastronômica de um lugar. Em algumas cidades isso é mais verdade; em outras, menos. Em Belém, é indiscutível: uma visita ao Ver-o-Peso é fundamental pra quem deseja se aproximar das referências da mesa belenense. E é reveladora, em todos os sentidos.

Conforme percorria as bancas, ia constatando a falta de estrutura, de organização e mesmo de higiene, o que não chegou a ser uma surpresa. Surpreendente mesmo foi procurar frutas como bacuri, cupuaçu, muruci e, em vez disso, encontrar muitas bananas, uvas e laranjas. Isso foi, logo de cara, o que me causou mais estranheza...

Imediatamente me lembrei do artigo recente de Pedro Martinelli no caderno Paladar. Aquelas palavras faziam todo sentido pra mim naquele momento. Não é que não haja frutas amazônicas no Ver-o-Peso. Há. Mas não como o turista imagina. Fora a castanha-do-pará, que é onipresente, vê-se cupuaçu e cacau em algumas poucas bancas. Taperebá vi em uma só. Bacuri, que é a minha predileta, eu penei pra encontrar. Na verdade, há uma única banca que vende em variedade as frutas da região: a famosa banca da dona Carmelita, onde, inclusive, descobri um tipo de bacuri que não conhecia, que ela me disse chamar-se “bacuri peitinho”, uma maravilha. No mais, o que se encontra mesmo são bancas vendendo, não as frutas, mas suas polpas.

Esse olhar observador ajuda a desconstruir a visão idealizada que tanto se cultiva daquele canto do Brasil. Mas, ainda assim, não sufoca o encantamento diante da riqueza do que se vê ali. Do universo de sabores (e hábitos) tão diversos daqueles que habitam nossa rotina no eixo Rio-São Paulo. Do amarelo do tucupi ao verde da maniva, do roxo intenso do açaí às pimentas de todas as cores e cheiros. Comi mingaus. Bebi sucos. Provei farinhas de todo tipo – e, claro, trouxe comigo um estoque delas.

Martinelli faz naquele artigo uma observação séria e importante, ao lembrar que “toda vez que aterrissamos na Amazônia, o olho fica abobado e é incapaz de ver que o homem que está batendo açaí trabalha sobre o esgoto” (referindo-se à rotina dos batedores no porto da Palha). Confesso que, mesmo atenta a essas questões, não houve como impedir que meus olhos ficassem abobados no Ver-o-Peso – talvez não haja mesmo como evitar... A falta de estrutura e higiene acabou mitigada pelo fascínio diante da vida acontecendo dentro do mercado. E por tudo aquilo que me marcou a retina e o paladar de forma irremediável. E a verdade é que o copo de açaí batido, espesso, gelado, que bebi ali, debruçada às margens do rio-mar Guamá, debaixo do sol inclemente de Belém, minutos antes de me despedir da cidade, fez mais por mim do que faria qualquer compêndio sobre a cozinha paraense. Me fez sair dali já com vontade de voltar.

 

Mercado Ver-o-Peso – Boluverd Castilhos França S/N


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