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Sexta, 04 Fevereiro 2011

Kidoairaku: a primeira vez a gente não esquece

Não sou propriamente fã de comida japonesa. Ao menos não dos sushis e sashimis que tanto encantam os brasileiros. E o que me fez querer visitar o Kidoairaku (Kido para os íntimos) foi exatamente o fato de saber que a casa vai muito além deles e exibe farta lista de pratos quentes que alimentam diariamente japoneses radicados em São Paulo. Isso e também essa beleza de post que o Luiz Horta escreveu sobre o lugar. Ah, sim, e os depoimentos apaixonados de um amigo twiteiro em cuja opinião confio muito.

Já cheguei avisada: sabia perfeitamente que o lugar parecia mais uma sala de casa adaptada do que um restaurante; um jeitão de birosca, sem a menor intenção de ser nada além disso. Esteticamente falando. Aliás, pra ser bem precisa, é o tipo de lugar que não tem pretensão estética alguma (o micro-system atrás do balcão não me deixa mentir...). O que leva as pessoas ali é a comida, apenas ela, nada mais. Foi também o que me levou.

Os lugares estavam, em grande parte, ocupados por japoneses. O que é um bom indício. Mas, ao mesmo tempo, isso causou em mim - e ousaria dizer que também em meus parceiros de mesa - certa sensação de que éramos meio turistas ali. Sensação agravada pelos cartazes anunciando os pratos nas paredes, sem tradução. Confesso que meu constrangimento aumentou ao sentir na simpática garçonete que nos atendeu, entre um sorriso e outro, um olhar de... piedade. Percebeu nosso desconforto, que devia mesmo ser palpável. E foi logo sugerindo apenas sashimis. Como não era por eles, mas, justamente, por todo o resto que eu estava ali, tentei explicar isso a ela, pedi ajuda com o cardápio e a coisa, então, começou a fluir um pouco melhor. E, fomos, meio sem jeito, arriscando aquele balé.

Entre altos e baixos, experimentei algumas coisas que me fariam voltar. Pedimos dois teishokus (uma espécie de PF japonês), um com uma bela anchova grelhada e outro com uma saborosa e crocante milanesa de porco.

Os legumes do teishoku, cenoura e nabo tenros, num caldo delicado, mas cheio de sabor, me deixaram impressionada. E o arroz merece linhas dedicadas só a ele, simplesmente porque era uma beleza de arroz. Eu seria capaz de contratar o cozinheiro do Kidoairaku só pra fazer esse arroz aqui em casa todos os dias.

E o maior sucesso da mesa, berinjela e carne de porco temperados com missô, uma maravilha.

Por fim, eu que não sou muito fã de udon, acabei não resistindo a comer um tantinho diante do colorido e do perfume do prato, coroado com ovo pochê, verduras, cogumelos...

A verdade é que saí desta minha primeira visita ao Kidoairaku (ainda não me sinto no direito de chamá-lo de Kido) tomada mais pela sensação de estranheza do que de encantamento. Aquela mesma sensação que, às vezes, nos causam certas obras de arte: a gente sabe que é pra gostar, mas ainda não aprendeu a chegar lá... E entende que, talvez, seja preciso revisitar, revisitar e revisitar até absorver completamente. E que só assim, quem sabe, a estranheza dê lugar à compreensão.

 

Kidoairaku – Rua São Joaquim 394 (esquina com Galvão Bueno) - Liberdade
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Comentários:
em 10-12-2015
por: Jeffa
Experimenta o curryrice, na minha opinião, divino. Obrigado.
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