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Segunda, 21 Abril 2014

Você já foi ao Paraíso Tropical? Não? Então, vá.

Paraíso Tropical

A cada vez que revisito o Paraíso Tropical, em Salvador, me vem à lembrança a tarde em que estive ali pela primeira vez. Faz cinco anos e ainda me recordo de cada detalhe como se houvesse sido ontem. É raro uma refeição carimbar a memória desse jeito. Mas nada é mesmo comum ou vulgar na casa de Beto Pimentel. De lá pra cá, estive no restaurante mais um par de vezes. Sempre me despeço com o firme propósito de voltar.

Trata-se de um lugar que encarna como poucos no Brasil o conceito de cozinha de produto. Mais do que trabalhar com matéria-prima de qualidade superior, Beto estabelece um diálogo com um repertório de ingredientes pouco utilizados. Muitos deles são plantados pelo próprio chef, que é também agrônomo. Coisa que pouca gente conhece ele planta, colhe e nos faz descobrir em seus pratos. Pôs biribiri no molho de pimenta, maturi e fruto do dendê em suas moquecas. Deu fama ao licuri.

Paraíso Tropical

Paraíso Tropical

Sua cozinha de ingredientes vai muito além do discurso, diz respeito a uma filosofia de vida. Basta olhar ao redor. Na calçada do restaurante, tem cacaueiro e pitangueira, onde passeiam micos sempre prontos à exibição no horário de almoço. No terreno anexo à casa, ele mantém horta e pomar e cria galinhas. A uns tantos quilômetros dali, tem uma fazenda onde produz muito do que usa. O resultado disso se vê nas mesas de seu restaurante.

Paraíso Tropical

Paraíso Tropical

Como de costume, recorri aos bocados que me levam sempre de volta àquele endereço, admitindo uma ou outra variação. Os deliciosos sucos de frutas. Uma porção de pititinga frita. Farofa feita na manteiga, com uma farinha excepcional, que chega de Nazaré das Farinhas, se não me engano. Os ótimos molhos de pimenta. A soberba mandioca com manteiga de garrafa. As moquecas, que, como já disse aqui antes, são muito particulares, diferentes de todas as outras que você possa ter provado. Conheço baiano que nem admite que se chame de moqueca o que Beto faz. O nome pouco me importa se são as melhores de que tenho notícia.

Paraíso Tropical

Paraíso Tropical

Paraíso Tropical

Paraíso Tropical

Paraíso Tropical

Paraíso Tropical

Depois de tantas linhas já dedicadas à cozinha de Beto Pimentel nesse blog, só me resta uma coisa a dizer: se você ainda não foi ao Paraíso Tropical, então, vá. Lá não tem caruru, lá não tem mungunzá. Mas tem cozinha baiana de um jeito que nenhum outro lugar tem.

 

Paraíso Tropical – Rua Edgar Loureiro, 98-B, Resgate - Cabula - Salvador

www.restauranteparaisotropical.com.br

 

Quarta, 18 Julho 2012

De volta ao Paraíso Tropical

Paraíso Tropical Salvador

Desde que estive no restaurante de Beto Pimentel em Salvador, não houve um único mês em que eu não pensasse: “preciso voltar àquele lugar”. Foram três anos assim. Finalmente, voltei. Pra minha felicidade, encontrei tudo exatamente como antes.

Beto tem um jeito muito próprio, muito original de fazer comida brasileira. Sua comida não se parece com nada que eu já tenha experimentado em qualquer outro restaurante na Bahia. O chef planta boa parte do que usa em sua cozinha, privilegia ingredientes que escapam ao óbvio e sabe tirar o melhor de cada um.

Paraíso Tropical Salvador Paraíso Tropical Salvador

Antes de escolher os pratos, é obrigatório o percurso pela abundância de frutas que habitam sua cozinha e chegam à mesa sob a forma de frozens e caipirinhas – que não são exatamente caipirinhas: feitas a partir de uma espécie de sorbet, ficam incrivelmente cremosas. A vontade é experimentar todas. Entre os frozens, fiquei com o de sapoti, fruta que minha mãe me ensinou a amar ainda pequena. Quanto às caipirinhas, até agora tenho dificuldade em saber se gostei mais da de mangaba ou da de umbu-cajá...

Paraíso Tropical Salvador Paraíso Tropical Salvador

Seguimos, então, com uma porção de siri-mole (que podia estar mais leve, menos gorduroso), acompanhada de farofa na manteiga de garrafa e um molho de pimenta que era uma delicadeza, feito com malagueta, pimenta de cheiro, pimenta em pó, tomate e biri-biri.

Paraíso Tropical Salvador

Era grande a vontade de me aventurar por pratos que ainda não havia experimentado, mas não pude deixar de voltar à moqueca. Simplesmente porque é a melhor que já comi. Depois de revisitá-la, mantenho a opinião. Nem sei se é apropriado chamar de moqueca porque a receita de Beto subverte maravilhosamente a tradicional. Tem pitanga, amora, flor de vinagreira, maturi, biri-biri, pimenta biquinho, fruto do dendê. O chef recriou o prato, ousou fazê-lo diferente de tudo o que há por aí e o resultado é tão bem-sucedido que faz qualquer moqueca que você venha a provar depois perder muito da graça. Ao menos, tem sido assim comigo desde que lá estive pela primeira vez...

Paraíso Tropical Salvador

Paraíso Tropical Salvador Paraíso Tropical Salvador

Saí do Paraíso Tropical com a mesma sensação que me deixou a visita anterior: há poucos restaurantes que me façam mais feliz no Brasil.

 

Paraíso Tropical – Rua Edgar Loureiro, 98-B (segunda travessa à esquerda da Nossa Senhora do Resgate) - Cabula - Salvador
http:/www.restauranteparaisotropical.com.br/

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