Pra quem quiser me visitar....
  • Provence: o mercado de Saint-Rémy
  • A hora do chá no Le Meurice, em Paris
  • Berlim, de bocado em bocado
  • “Redefinindo Sustentabilidade”: Parabere Forum chega à terceira edição debatendo a igualdade de gênero na gastronomia
  • Lenha no fogão: comida e memória no sul de Minas Gerais
  • Fazenda do Serrote: refúgio na divisa entre Rio e Minas Gerais
  • Restaurante Roberta Sudbrack fecha as portas no Rio de Janeiro: o fim pode ser uma ponte?
  • Padaria da Esquina, a nova casa de Vitor Sobral em São Paulo: minhas impressões
  • The Slow Bakery, o café
Terça, 08 Dezembro 2015

Restaurante Casa Velha: só Minas é assim

Restaurante Casa Velha

Fazia pouco mais de uma hora que havíamos deixado Belo Horizonte. A caminho de Inhotim, parada providencial num povoado batizado Córrego do Feijão. A fachada do restaurante na praça central anunciava: “comida e estilo da roça”. Estávamos no lugar certo.

Restaurante Casa Velha

Diante do fogão a lenha, um verdadeiro banquete: pernil de porco pururuca, ensopado de língua de boi com linguiça, galinha caipira, cozido de costela e maçã de peito com milho, tutu, angu de fubá de moinho d'água, aipim, jiló, quiabo refogado.

Restaurante Casa Velha

Restaurante Casa Velha

Restaurante Casa Velha

Restaurante Casa Velha

O dono do restaurante, que nos recebe como em sua própria sala, pergunta se queremos ovos caipiras fritos e folhas refogadas (couve, mostarda, ora-pro-nóbis). Sim, queríamos tudo. Não renunciaríamos a nenhum daqueles pratos, que tinham jeito e gosto de casa, inclusive em suas eventuais imperfeições.   

Restaurante Casa Velha

Restaurante Casa Velha

Acomodada à sombra de uma jabuticabeira, sob os olhares dos cães e de olho nas redes que convidavam à sesta, eu me dava conta de que o que se serve ali é mais que comida. É acolhimento, conforto, memória. Um lugar que nos desperta sensação oposta àquela que Nina Horta descreve com tanta clareza na crônica Exílio: “E tem uma hora em que você está distraído, jantando num restaurante caro, e sente aquele ‘não pertencer’ no ar. (...) e você pensa: ‘O que estou fazendo aqui, jantando vieiras com aspargos sob um lustre de cristal preto?’. Não sou eu, com certeza.”  

O Casa Velha é o tipo de restaurante que nos ajuda a não esquecer quem somos.

 

Casa Velhawww.casavelhacorregodofeijao.com.br

Tags:
Terça, 24 Novembro 2015

Glouton, em Belo Horizonte: a cozinha de Leonardo Paixão

Glouton Belo Horizonte

Acomodada no belo quintal do Glouton, eu relembrava as palavras da chef Tanea Romão numa conversa que tivemos em seu restaurante, em Tiradentes, há pouco mais de um ano. “Quando voltar a Belo Horizonte, vá ao restaurante do Leonardo Paixão, que é um dos grandes talentos da nova geração em Minas”, ela me disse então. O nome não era novidade pra mim, mas sua recomendação fez crescer meu interesse pelo trabalho do moço.

Glouton Belo Horizonte

Observava os quadros com motivos franceses espalhados pelas paredes e me perguntava se Tanea teria mesmo razão. A chegada do cardápio deixou tudo mais claro pra mim: em meio a referências outras, era possível vislumbrar na cozinha da casa um senso de pertencimento ao lugar onde está – o que diz respeito especialmente a escolha e abordagem de ingredientes. Talvez os quadros fossem apenas uma referência afetuosa ao país onde o chef morou e cursou gastronomia. Questão de gosto.

Glouton Belo Horizonte

A refeição que eu faria a seguir me daria certeza de que a mineira não exagerou quanto ao talento do colega.

Começamos pelo elogiado polvo com farofa crocante. Sabendo que não se tratava de farinha de mandioca, perguntei ao garçom o que havia na tal farofa. Quando ele disse “Neston”, quase fiquei surda pros demais ingredientes – amêndoas e trigo sarraceno. Ponderei mudar o pedido, mas decidi desafiar o preconceito e fui em frente. Não me arrependi, era uma delícia. O mesmo posso dizer do polvo, em ponto perfeito. 

Glouton Belo Horizonte

O tenro cupim assado com Caracu tinha a companhia de angu de canjica branca. Muito bom, mas ainda melhor estava a papada de porco com mil-folhas de mandioca e molho de laranja. Diante da carne úmida e extremamente saborosa, a faca se tornava mero adereço. Além do gostoso mil-folhas de mandioca, uma folha de acelga trazia crocância e bem-vinda nota de amargor a dialogar com a sutil doçura do molho de laranja.

Glouton BH

Glouton BH

No último ato, uma delicada homenagem ao Cerrado Mineiro: sorbet de cagaita, coulis de coquinho azedo e um delicioso pó de casca de buriti, que me fez esquecer a boa educação e limpar o prato com os dedos.

Glouton BH

 

Glouton – Rua Bárbara Heliodora 59 – Lourdes – Belo Horizonte

http://glouton.com.br/

© 2012 Pra quem quiser me visitar - Todos os direitos reservados - Design de Branca Escobar

Envie para um amigo:

*
*

Fale comigo:

*

Assinar Newsletter:

Remover email: