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Terça, 14 Maio 2013

Bolo de rolo na Casa dos Frios e tapioca no Alto da Sé: comendo símbolos

Não se pode conceber uma visita ao Recife sem uma parada na Casa dos Frios para comprar bolo de rolo. Um dos maiores símbolos da doçaria pernambucana – e dos meus grandes vícios na vida – ganha ali sua versão mais famosa. Não à toa. Particularmente, não me recordo de já ter experimentado um exemplar que revelasse maior equilíbrio entre as finíssimas camadas de massa e o delicado recheio de goiabada. E confesso que essa comparação é exercício ao qual sou capaz de me entregar indefinidamente.

Tão obrigatória quanto o bolo de rolo é a queijadinha feita ali. Nos fornos da Casa dos Frios, recebe tratamento impecável: casquinha crocante, recheio úmido, bordas caramelizadas. Impossível comer uma só.

Casa dos Frios

Na vizinha Olinda, outro endereço incontornável na rota dos pequenos bocados. A tapioca, patrimônio imaterial e cultural da cidade, é preparada diariamente pelas tapioqueiras que se reúnem todo fim de tarde em frente à Igreja da Sé. Embora minha preferência seja a massa mais fina do que a que elas costumam fazer ali, não há como não se render. Onde quer que estivessem, seria um prazer acompanhar o habilidoso balé das mãos experientes e depois devorar uma tapioca quentinha. Mas é impossível negar que, diante daquele cenário, a experiência ganha outra dimensão.

Alto da Sé Olinda

Alto da Sé Olinda

tapioca Alto da Sé

tapioca Alto da Sé

 

Casa dos Frios - Avenida Rui Barbosa, 412 – Graças / Av. Eng. Domingos Ferreira, 1920  - Boa Viagem

Segunda, 29 Abril 2013

Cozinhando Escondidinho, no Recife

Cozinhando Escondidinho Rivandro França

A casa de Rivandro França na zona norte do Recife é lugar simples, muito simples, mas tem caráter. O cardápio (que veicula preços pouco praticados hoje em dia, quase inacreditáveis para uma capital brasileira), é um mapeamento sentimental da cozinha regional pernambucana. Tem sururu, escondidinho, carne de sol, cuscuz de milho, galinha de cabidela, sarapatel, farofa de bolão, baião de dois, bode guisado... As referências da cozinha tradicional estão todas ali, mas tudo acomodado sob a perspectiva de Rivandro, o que se sente na concepção de certos pratos, na apresentação de outros.

Cozinhando Escondidinho Rivandro França

A vontade era experimentar tudo. Difícil escolher. Confesso que até agora me arrependo de não ter voltado uma vez mais pra provar outros pratos. Mas não adianta lamentar. Como diria o poeta, o tempo só anda de ida...

Começamos com um par de escondidinhos. O de macaxeira com carne de sol era cremoso e delicado, mais gostoso que o de banana com carne de sol.

Cozinhando Escondidinho Rivandro França

Seguimos com o “sururu de quenga pra baixo”.

Cozinhando Escondidinho Rivandro França  Cozinhando Escondidinho Rivandro França

Então, um saboroso sarapatel de porco. Para amparar o molho, um pão (como manda o figurino) e farofa de bolão, receita em que se mistura água quente à farinha, produzindo o resultado que justifica o nome. Mais pernambucano, impossível.

Cozinhando Escondidinho Recife

Cozinhando Escondidinho Recife  Cozinhando Escondidinho Recife

O “baião de nós” trazia arroz, feijão verde, carne de sol e calabresa, tudo puxado na manteiga de garrafa e coroado por um belo pirão de queijo coalho. Não sobrou um grão no prato.

Cozinhando Escondidinho Recife

Pra aumentar a satisfação daquele momento, a companhia de uma grande jarra de refresco de graviola e uma brisa mansa atravessando as largas janelas dos fundos da casa.

Por fim, duas sobremesas. A primeira, doce de macaxeira, mel de engenho, coco e cachaça, servido quente com sorvete de creme. O sorvete não era bom, mas o doce, uma delícia.

Cozinhando Escondidinho Recife

E, claro, não sairíamos sem pedir uma cartola, em versão batizada de “cartixeira”. Banana dourada, queijo coalho, queijo manteiga, doce de macaxeira, tudo misturado, flambado em cachaça e finalizado com mel de engenho. Não resulta um prato bonito, mas o que importa é que é muito gostoso. O mel de engenho era tão bom que comprei uma garrafinha pra trazer comigo.

Cozinhando Escondidinho Recife

Durante todo o almoço, fui acompanhada pelo sentimento de estar num lugar autêntico, comandado por um cozinheiro que põe verdade no que faz e não tem a pretensão de ser o que não é. Coisa cada vez mais rara nos dias de hoje.

Cozinhando Escondidinho Recife

Cozinhando Escondidinho – Rua Conselheiro Peretti 106 – Casa Amarela. Tel. (81) 8618-6781 / (81) 9669-3924

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