Goiabada? Doce de leite? Menos açúcar, por favor - fevereiro/2012

Adoro os doces e compotas que dão o tom da mesa mineira. Goiabada, doce de leite, de mamão verde, de laranja da terra. Acompanhando um naco de bom queijo Canastra, são um belo desfecho pra uma refeição naquelas paragens. A questão é que nesse tipo de receita, em geral, exagera-se na quantidade de açúcar. São, quase sempre, mais doces do que o desejável – ao menos, pra mim, que penso que açúcar é coisa que se deve usar com comedimento. Mas, procurando bem, encontrei algumas boas versões nessa passagem por Tiradentes e Bichinho.

Como já tinha comentado no último post, entre os que experimentei no Pau de Angu, por exemplo, quase todos tinham açúcar demais. O mesmo eu diria do famoso doce de leite do lendário Chico Doceiro. Apesar de tão elogiado, particularmente, achei doce além da conta. Confesso que, ainda assim, não resisti a seus canudinhos recheados, mas devo dizer que achei melhores – embora também mais açucarados que o ideal – os que provei na “Doces do Bichinho”. Aliás, foi exatamente nessa casa no Bichinho que encontrei um dos melhores doces que comprei nessa viagem: uma sublime goiabada cascão de textura perfeita e brilho impressionante. O melhor: tinha açúcar na medida. Lamento até agora não ter trazido mais...

Outra bela surpresa, como já havia mencionado alguns posts atrás, foi o doce de laranja da terra que comi na Estalagem do Sabor. Ao saber que o fornecedor era o “Doce de Leite do Bolota”, fui até lá, ávida por trazer alguns potes pra casa. O estoque tinha acabado e, como não era época da fruta, não havia esperança. Mas o próprio garçom da Estalagem me sugeriu duas alternativas: a Casa do Queijo e a Ké Kejo, que, além de queijos, vendem doces. Comprei nas duas. Não me causaram o que causou o doce do Bolota – este, afinal, ganhou aquela aura dos sabores que não se repetem e que a memória cuida de agigantar – mas eram, de fato, quase tão gostosos quanto. Tanto que foram devorados mais rápido do que manda o bom senso. Resta-me agora voltar pra refazer o estoque...


Chico Doceiro – Rua Francisco Pereira de Morais 74 - Tiradentes
Doces do Bichinho – no final da rua principal do Bichinho, quase em frente ao restaurante Tempero da Ângela
Doce de Leite do Bolota – Rua Bia Fortes 77 - Tiradentes
Casa do Queijo - Largo Henrique Diniz 146 - Tiradentes
Ké Kejo - Rodovia BR 265 S/N KM 254 - Trevo de Tiradentes

As atualizações do blog também estão no meu twitter.

Comentários:

Data: 03/03/2012 - Hora: 16:10:40
Nome: Constance
Email: email@naoinformado
Site: Não informado
Mensagem: Oi, Luciana! Canudinho de doce de leite é tudo de bom, né? Faz a gente morrer de culpa e de felicidade ; ) A Angela ficou pra próxima. Mais uma entre tantas razões pra voltar logo a essa terra linda...


Data: 03/03/2012 - Hora: 08:36:13
Nome: Luciana
Email: luneiva.mural@gmail.com
Site: www.muralcomunicacao.com.br
Mensagem: Constance, vc me arrasou com este post!!! Me deu muuuuita saudade e muuuuita água na boca... Eu AMO canudinho de doce de leite. E AMO Bichinho, Tiradentes... Vc foi na Angela?


Data: 24/02/2012 - Hora: 03:55:54
Nome: Constance
Email: email@naoinformado
Site: Não informado
Mensagem: Ossau Iraty com geleia de cereja preta é covardia, Loulou!


Data: 23/02/2012 - Hora: 20:14:28
Nome: Loulou
Email: email@naoinformado
Site: Não informado
Mensagem: Salve MG Constance, cobicei sem pudor a sua goiabada cascão ! Sou fã incondicional de romeu&julieta ou qquer outra sobremesa que misture frutas e queijos... seja um bom cheesecake ou até um duetto de Ossau Iraty e geléia de cereja preta de Itxassou... é o que eu chamo de final feliz da refeiçao :) Mas pra salgar um pouquinho esse excesso de açucar que tanto nos incomoda, olha a receita que o Cyrille Lignac postou ontem: http://www.cuisineattitude.com/leblog/987-leclair-caramel-beurre-sale um grande abraço,


Data: 22/02/2012 - Hora: 22:09:21
Nome: Constance
Email: email@naoinformado
Site: Não informado
Mensagem: É isso, Maria: há que diminuir o açúcar e resgatar o sabor das frutas. O que diz Dona Canô sobre o sal vale pro açúcar também: é um dom.


Data: 22/02/2012 - Hora: 13:49:33
Nome: Maria das Graças
Email: mgrosa@uol.com.br
Site: Não informado
Mensagem: Constance, correção. Lá no Ceará os doces eras servidos em cones e não em canudos como os da foto. Fazíamos a massa (tipo de pastel), cortávamos em tiras, enrolávamos em cones de alumínio e fritávamos. Depois de frito era só retirar do cone de alumínio, esperar esfriar e rechear de doce de coco, típico do Nordeste.


Data: 22/02/2012 - Hora: 13:45:31
Nome: Maria das Graças
Email: mgrosa@uol.com.br
Site: Não informado
Mensagem: Constance, no nordeste, na minha infância, eu comia doces com gosto do ingrediente. O açúcar era mero coadjuvante. Na casa da minha avó, nas férias e em época da safra de goiaba eram tachos e tachos de doce de goiaba. Enquanto faziam o doce o cheiro era delicioso e, depois de pronto, sentíamos as fibras, o cheiro, o gosto e a acidez peculiar da goiaba. Com o caju era a mesma coisa. Canudinhos de doce de coco nos fazia ir às nuvens, com açúcar na medida, o coco era o astro principal e era doce tão gostoso e tradiconal que fazia parte das mesas de doce das boas festas. Os doces de origem portuguesa fizeram parte da minha infância. Hoje eu não consigo mais comer doces portugueses aqui no Rio mas pude constatar que eles continuam como os da minha infância em Portugal. Como disse em outro post doce de leite e goiabada faço em casa. Cocada boa feita com rapadura como é feita no nordeste como lá. Doce feito com rapadura/melado de cana tem um sabor delicioso. Aliás mel de cana é uma delícia com queijo canastra