Pra quem quiser me visitar....
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Segunda, 14 Novembro 2016

Berlim, de bocado em bocado

Berlim

Cheguei a Berlim sem grandes expectativas e com reserva em apenas um restaurante. Não tive tempo nem disposição pra planejar a viagem como gostaria. Talvez exatamente por isso tenham sido tão leves e felizes os dias que passei ali. O fato de não haver muitos planos engessando minha curta temporada na cidade abriu espaço pra algo que raramente me permito quando visito um lugar pela primeira vez: liberdade absoluta. Caminhar sem obrigações, descobrir a cidade ao sabor dos desejos do dia. A escolha de onde comer  seria ditada pela geografia do roteiro

Obrigatório mesmo só o primeiro café pela manhã na The Barn Coffee Roasters – na companhia de pães de canela, cookies ou uma fatia de bolo de cenoura, todos ótimos.

The Barn Coffee Roasters

The Barn Coffee Roasters

The Barn Coffee Roasters

Dependendo do rumo que tomássemos depois disso, havia ainda uma parada pra um delicioso apfel-zimt schnecke (pão de maçã com canela) na padaria Zeit Für Brot.  

Zeit Für Brot

Zeit Für Brot

Zeit Für Brot

Na tarde de domingo no mercado de pulgas do Mauerpark, fizemos como os locais: nos acomodamos no biergarten pra saborear despretensiosamente uma porção de currywurst, sob a poética luz da transição entre verão e outono.

Mauerpark

Mauerpark

Mauerpark

Se o dia nos levasse a um passeio no Tiergarten, ao fim do percurso, estávamos a uma breve caminhada da KaDeWe – que seria apenas mais uma entediante loja de departamentos, não fosse por seu maravilhoso food hall no último andar. A variedade de opções no balcão de salsichas e linguiças é capaz de deixar um estrangeiro em transe. Experimentei duas delas e gostei especialmente da Krainer Wurst, que não é alemã, mas eslovena. Os acompanhamentos, chucrute e salada de batata, eram saborosos e delicados. Como não bastasse, dali seguimos pra outro balcão, onde fomos ao encontro de um crocante Wiener Schnitzel.

Tiergarten

KaDeWe

KaDeWe

KaDeWe

KaDeWe

Se a tarde se encerrasse às margens do Landwehr, bucólico canal paralelo ao rio Spree, convinha antes uma pausa pra tomar um café no Five Elephant Coffee, de onde não se pode sair sem experimentar uma fatia de seu cheesecake, que faz jus à fama que tem.

Landwehr

Five Elephant

Five Elephant

Five Elephant

A flanar por Kreuzberg, era inevitável uma parada no Markthalle Neun, dos melhores programas a nos socorrer quando a fome nos alcançasse naquelas paragens. O mercado mantém o ambiente de galpão antigo, sem apelar pra manobras estéticas que lhe pudessem tirar a verdade em nome da modernidade. Às quintas-feiras acontece o festival de comida de rua, mas, como minha passagem pela capital alemã não calhou de coincidir com uma noite de quinta-feira, estive ali numa tarde no meio da semana, quando os corredores ficam pouco movimentados – o que não é mau pra alguém que, como eu, não seja afeito a multidões.

Markthalle Neun

Markthalle Neun

Comprei uma cerveja no bar e segui pra Kumpel & Keule, templo de carnes e embutidos, onde servem algumas das salsichas expostas na vitrine, além de um hambúrguer tão simples quanto gostoso: carne saborosa, folhas frescas, bacon defumado no próprio mercado. Quando os ingredientes são bons assim, não é preciso muito mais.

Markthalle Neun

Markthalle Neun

Markthalle Neun

Markthalle Neun

A atmosfera do mercado, em alguma medida, soou como uma síntese das impressões que Berlim deixou em mim: uma cidade que me transmitiu a sensação de raro equilíbrio entre memória e modernidade, artesanato e tecnologia, metrópole e cidade do interior. Só penso em voltar.

The Barn Coffee Roasters – Schönhauser Allee 8 / Também na Auguststraße 58

 http://barn.bigcartel.com/

Zeit Für Brot – Alte Schönhauser Straße 4

http://www.zeitfuerbrot.com/

KaDeWe – Tauentzienstraße 21-24

http://www.kadewe.de/en/home_english/

Five Elephant Coffee – Reichenberger Straße 101

http://www.fiveelephant.com/

Markthalle Neun – Eisenbahnstraße 42-43

https://markthalleneun.de/

Quarta, 24 Fevereiro 2016

Los Mellizos: churros e nostalgia em Montevidéu

Parque Rodo

Imagino quanto se tenha modificado a capital uruguaia desde que Jorge Luis Borges escreveu o poema Montevidéu. Mas, de alguma forma, na atmosfera de suas ruas e no gestual de seu povo ainda é possível vislumbrar a "porta falsa no tempo", a tal cidade que mira o passado a que o escritor argentino se referiu. Ela se revela nas tantas casas de muros baixos que persistem, nas crianças brincando em seus cavalinhos de pau à beira-rio, nas cabeças brancas no comando de fornos e parrillas. Isso me pareceu ainda mais palpável diante da roda-gigante do Parque Rodó, um parque de diversões à moda antiga, que debruça sua nostalgia no rio-mar.

Parque Rodo

A poucos passos da extemporânea roda, um quiosque de churros sublinhava aquele sentimento. Churros Los Mellizos, dizia o letreiro. Os que me haviam sido recomendados eram vendidos noutra banca, logo adiante. No entanto, ao perceber a maestria com que o dono do lugar manejava a fritadeira, eu soube que era ali que devia depositar meu desejo: "una docena, por favor". Chegaram finos, sequinhos, crocantes, polvilhados com açúcar e canela. Não me recordo de já ter comido melhores.  

Churros Los Mellizos

Churros Los Mellizos

A felicidade infantil com que os devorei em meio ao burburinho do parque me remeteu às predileções dos tempos de menina. Quis acreditar que uma fagulha da inocência perdida em tantas cidades insiste em sobreviver em Montevidéu.  

Parque Rodo

Churros Los Mellizos – Av. José Requena y García – Parque Rodó

 

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