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Sexta, 03 Julho 2015

Ristorante Consorzio, em Turim

Ristorante Consorzio

Tinha apenas um dia em Turim, antes de me despedir do Piemonte. Dei-me a liberdade de gastá-lo andando sem rumo, sem obrigações. Ou quase isso. O único compromisso era a reserva num restaurante a duas quadras do meu hotel. Em nome da retórica, eu poderia dizer que, por obra do destino, acabei num dos melhores endereços da cidade. Mas a verdade é que o hotel foi escolhido justamente por estar a poucos metros do Ristorante Consorzio.

Ao entrar, fui imediatamente conquistada pela atmosfera do lugar. Se é que se pode dizer que a cozinha se delineia como uma trattoria moderna, o salão é propositadamente antigo.  

Ristorante Consorzio

ristorante consorzio   ristorante consorzio

O cardápio homenageia produtos oriundos de pequenas produções – muitos deles protegidos pelo projeto Presìdi Slow Food – e evoca a tradição culinária local, sem, no entanto, estar atado a ela.

Ainda me arrependo de não ter começado pela entrada que reunia timo, amêndoas, anchovas e marsala De Bartoli. Mas o uovo croccante me cegou pras demais opções – havendo ovo, dificilmente consigo resistir. Empanado, gema perfeita, acompanhado de espinafre, bacon e fonduta de cheddar.

ristorante consorzio

A bochecha de vitela (de Fassona, raça de gado piemontês), em intenso e saboroso molho de vinho, tinha a companhia de um delicado purê de aipo.

consorzio torino

O ponto alto da refeição foram os deliciosos raviólis de finanziera, onde o clássico guisado de miúdos piemontês (timo, tutano, miolos) surge também como recheio da massa. Um prato de resistência abordado com tremenda sutileza.

consorzio torino

Pedi a panna cotta da casa motivada por uma fagulha de esperança de que me fizesse recordar o sublime exemplar que experimentara um dia antes na Osteria del Boccondivino, em Bra. Inútil tentar, não haveria outra como aquela. Mas a verdade é que, depois dos raviólis de finanziera, nada mais era preciso.

ristorante consorzio

Meus olhos deixaram a sobremesa e foram devolvidos ao salão, de onde eu não tinha vontade de ir embora. Sem dúvida, meu tipo de lugar.

 

Ristorante Consorzio – Via Monte di Pietà, 23 - Turim

http://ristoranteconsorzio.com/

 

Quinta, 11 Junho 2015

Osteria dell’Arco e Osteria del Boccondivino: eu achava que sabia o que era uma panna cotta

Osteria dellArcoOsteria del Boccondivino

Ícones do Slow Food, essas duas casas irmãs compartilham a mesma filosofia: cozinha a serviço do brilho dos ingredientes do território, abordados com perícia na execução de receitas regionais. A primeira está em Alba. A segunda, em Bra, berço do movimento fundado por Carlo Petrini. A conexão não poderia ser maior: o restaurante funciona no mesmo imóvel onde se encontra instalada a sede do Slow Food.

Ambas me garantiram ótimas refeições, cujo clímax ficou por conta da sobremesa: a melhor panna cotta de que tenho notícia. Mas vamos por partes.

Na Osteria dell’Arco, o almoço se iniciou com o vitello tonnato e seguiu com os delicados tajarin em saboroso ragu de salsiccia di Bra.

Osteria dellArco

Osteria dellArco

Osteria dellArco

Com a chegada da sobremesa, instalou-se aquele silêncio que prenuncia uma revelação. À primeira colherada na soberba panna cotta, untuosa e aveludada, eu soube que nada seria como antes.

Osteria dellArco

Já na Osteria del Boccondivino, elegi o trio de antepastos que reunia lardo, carne cruda e salsiccia di Bra. Em seguida, um brasato al Barolo de molho intenso, delicioso, que merecia um acompanhamento melhor do que inexpressivas batatas.

Osteria del Boccondivino

Osteria del Boccondivino

Osteria del Boccondivino

Naturalmente, voltei à panna cotta, ali servida sem frutas ou outros coadjuvantes. A apoteose da simplicidade. Sublinhou minha convicção de não haver jamais provado nada remotamente parecido, nem mesmo na Itália. Pra ser mais precisa, nem no Piemonte, onde experimentei a clássica sobremesa em mais dois ou três endereços.

Osteria del Boccondivino

Eu achava que sabia o que era uma boa panna cotta. Não sabia. Aqueles dois exemplares me trouxeram o inestimável sabor da descoberta. E a lembrança de que só se aprende a comer comendo. Ainda não inventaram método mais eficaz – nem tão prazeroso.

 

Osteria dell’Arco – Piazza Savona, 5 – Alba

http://www.boccondivinoslow.it/osteria/ita/osteria.asp

 

Osteria del Boccondivino – Via Mendicità, 14 – Bra

http://www.boccondivinoslow.it/boccodivino/ita/osteria.asp

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