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Terça, 10 Janeiro 2017

A hora do chá no Le Meurice, em Paris

Le Meurice

“Aceita uma madeleine?” Foi a primeira coisa que ouvi (se não a primeira, a mais importante) ao me acomodar no salão do Le Dali, onde se conduz diariamente o ritual do chá da tarde no Meurice.

Recém-saídas do forno, estavam ainda quentes e o perfume de mel permitia antever o arrependimento que me tomaria em seguida. Ao consentir que a moderação prevalecesse sobre o desejo, comi apenas um exemplar daquela que se revelaria a melhor madeleine de que tenho notícia. Agora estou condenada a buscar eternamente a reprodução de um momento que, como se sabe, não se repetirá.

Le Meurice

Le Meurice

Minha tarde no Meurice, aliás, foi uma sucessão de bocados irrepetíveis – o que nem o mau gosto no projeto do salão (quase inacreditável, em se tratando de um dos hotéis mais icônicos de Paris) poderia comprometer. Evitei olhar pro teto e mantive os olhos na mesa, onde estava o que verdadeiramente importava.

Le Meurice

Le Meurice

O trabalho comandado pelo chef pâtissier Cédric Grolet é desses raros casos de quase perfeição. Em cada detalhe se vislumbravam sutileza, equilíbrio e precisão. Dos levíssimos sanduíches aos scones. Da torta de baunilha – massa crocante, recheio delicioso, creme suave – à impecável versão de Paris-Brest. Merece menção especial o cookie de chocolate com geleia de figo e pedaços de figos frescos.

Le Meurice

Le Meurice Cédric Grolet

Le Meurice Cédric Grolet

Le Meurice Cédric Grolet

A delicada sequência me rendeu uma daquelas lembranças persistentes, que suponho se cristalizem num setor da memória responsável por nos socorrer quando precisamos de conforto. Embora eu deva admitir que uma inquietação às vezes me assalta, trazendo de volta a pergunta que eu não soube calar como devia: “aceita uma madeleine?”.  

 

Le Meurice – 228 Rue de Rivoli – 1er

https://www.dorchestercollection.com/en/paris/le-meurice/restaurant-bars/le-dali/

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