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Quinta, 04 Abril 2013

Marie-Anne Cantin: todo dia é dia de queijo

Marie-Anne Cantin Paris

Evito ficar em hotéis em Paris. Sempre que posso, alugo um apartamento. Uma entre as muitas razões que me levam a fazer isso são os queijos. Gosto de cumprir o ritual de passar na loja de queijos do bairro e levar alguns pra comer em casa. Quando calha de me hospedar no 7ème, tendo como fromagerie mais próxima a de Marie-Anne Cantin, aí é a glória. Os donos não são meros revendedores, mas fazem a affinage em cave própria. A qualidade de seus queijos grita nas prateleiras. Começar ou terminar o dia com uma visita à loja é das coisas que mais me dão prazer quando estou na cidade.

Marie-Anne Cantin Paris

Marie-Anne Cantin Paris

Marie-Anne Cantin Paris

Nunca chego à conclusão do que é mais gostoso: voltar às predileções ou experimentar queijos ainda não sabidos – e, assim, ir descobrindo novos favoritos. Na dúvida, pratico um pouco de cada. Num dia, uma caixinha de Camembert, no outro, um naco de Comté, então, Rocamadour, depois, Ossau-Iraty... E sempre se acha espaço na bolsa pra acomodar um pequenino Saint-Marcellin, especialmente se for daqueles que se entregam às colheradas.

Marie-Anne Cantin Paris

Marie-Anne Cantin Paris

Marie-Anne Cantin Paris

Uma só vida e apenas uns pares de dias na cidade a cada visita não dão conta de todos os queijos que eu gostaria de experimentar. Tenho a triste impressão de que aqueles que não conheço serão sempre mais numerosos do que os que tive – e terei – a felicidade de experimentar. Mas se até Charles de Gaulle assumia espanto diante da diversidade de queijos fabricados nos rincões da França, quem sou eu pra crer que posso vencer essa batalha...

Marie-Anne Cantin - 12 Rue du Champ de Mars – 7ème

http://www.cantin.fr/

Terça, 02 Abril 2013

Mini Palais: Eric Frechon no Grand Palais

Mini Palais Paris

Não fossem as circunstâncias que me levaram ao Mini Palais em janeiro, talvez ainda demorasse a conhecer a brasserie contemporânea anexa ao Grand Palais. Não sei dizer por que, mas nem o cardápio assinado por Eric Frechon, nem as boas resenhas que já havia lido sobre a casa tinham despertado em mim entusiasmo suficiente pra colocá-la na minha relação de prioridades em Paris. Mas a notícia de que o restaurante estaria aberto no primeiro dia do ano levou-a imediatamente ao topo da lista. Ao saber, então, que o Grand Palais estaria aberto naquele dia, me acenando com exposição de Edward Hopper, me senti dona de um bilhete de loteria premiado. Não pensei duas vezes.

Ao chegar, a fila na porta dava a medida da falta de originalidade da minha ideia. O céu de azul irreal me inspirava otimismo e me fez resistir uma hora na espera por Hopper. Mas o frio era muito e trouxe de volta minha habitual impaciência, desencorajando-me diante da promessa de pelo menos mais uma hora na fila. Segui pra segunda parte do programa. A mesa reservada com antecedência garantia que a investida no Mini Palais seria mais bem-sucedida.

Mini Palais Paris

Mini Palais Paris

Quando me acomodei, ainda pensava na exposição perdida, mas a gougère tamanho GG que nos deu as boas-vindas me fez esquecer. Uma nuvem debaixo da crosta crocante, deliciosa, talvez a melhor que eu já tenha comido. Comeria mais uma, mas fiquei só na intenção. Me arrependo até agora.

Mini Palais

Comecei com uma gostosa conserva de sardinhas, acompanhada de excelente pão e ótima manteiga.

Mini Palais

Segui com o penne com chorizo e manjericão, que, confesso, pedi sem muita fé. Cada garfada a restabelecia. Massa no ponto certo, economia no molho, pontuado por tomates doces e pedacinhos de chorizo. Simples e muito gostoso.

Mini Palais

O anticlímax ficou por conta da sobremesa. Na versão meio inexpressiva do clássico Mont Blanc, só brilhava o sorvete de baunilha. O lindo baba ao rum da mesa vizinha me dava certeza de que havia escolhido mal.

Mini Palais

De modo geral, encontrei ali boa comida, ainda que não especial – à exceção da atordoante gougère, merecedora de todas as loas. Não são poucos os lugares onde já comi melhor em Paris. Mas, inclusive por estar onde está, considero voltar. Afinal, o lugar me soa como ótimo desfecho a uma visita ao Grand Palais. Especialmente, se o inverno estiver distante e houver a promessa de uma mesa na varanda, que muitos garantem ser das mais agradáveis da cidade.

 

Mini Palais – Avenue Winston Churchill - Grand Palais - 8ème

http://www.minipalais.com

 

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