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Quarta, 27 Julho 2011

Maialino, a trattoria de Danny Meyer

Entre os estabelecimentos que o grande restaurateur Danny Meyer ostenta em Nova Iorque, um dos mais recentes, o Maialino, pretende encarnar uma espécie de versão de uma trattoria romana. Não espere encontrar um lugar acanhado, que remeta a algum daqueles pequenos restaurantes em que se tropeça nos poéticos becos de Roma. Lembre-se: estamos falando de um restaurante de hotel (não de qualquer hotel, mas do Gramercy Park Hotel). Portanto, despoje-se da nostálgica lembrança das vielas romanas e permita-se apreciar a beleza da casa, um amplo salão, cheio de luz, muita madeira, muitas flores, belas fotos nas paredes e toalhas xadrez sobre as mesas. Bonito, agradável, convida a ir ficando – e, de fato, ficamos até quase nos expulsarem.

No cardápio a inspiração em Roma fica mais evidente. Estão ali massas tipicamente romanas, como Carbonara, Cacio e Pepe e Amatriciana, e também pratos que evocam a cozinha romana de influência judaica, como as alcachofras fritas.

Começamos com uma entrada que trazia polvos, azeitonas e ramps. Polvos tenros, ramps no auge do frescor, uma delicadeza.

E uma salada com alfaces frescas, favas gigantes e nacos de pé de porco, cheios de sabor.

Última entrada, carciofini fritti. Se a intenção era nos sentirmos em Roma, não podíamos passar sem alcachofras fritas, no caso, alcachofrinhas. Deliciosas, apesar do excesso de óleo. Ótimo também o molho de anchovas que as acompanhava.

Em seguida, fomos de Fettuccine alla Carbonara e Tonnarelli Cacio e Pepe. Ligeira decepção. O Cacio e Pepe, apesar de gostoso, não tinha a riqueza de sabor de um bom exemplar romano. E no Carbonara, embora o guanciale e a pimenta fossem de primeira, ficava evidente que a cozinha se havia socorrido do uso de creme de leite...

Com as sobremesas, retomamos as boas impressões do início do almoço. Um fofo e untuoso bolo de óleo de oliva, um delicadíssimo sformato di ricotta, em casamento perfeito com laranjas sanguíneas, e uma beleza de torta de ruibarbo, coroada por uma bola de um sublime sorvete de fior di latte.

No balanço geral, entre altos e baixos, eu diria que foi um belo almoço. E vou lhes fazer uma confissão: o prazer de compartilhar uma mesa em boa companhia por longas horas (e, claro, o fato de haver uma tarde radiante nos esperando lá fora) acabou por mitigar o deslize do creme de leite no Carbonara e ressaltar os acertos da refeição. De vez em quando, é bom se lembrar de colocar as coisas em perspectiva...

 

Maialino – 2 Lexington Avenue (com 21st street), no Gramercy Park Hotel
http://www.maialinonyc.com/

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Terça, 05 Julho 2011

Blue Bottle Coffee: boa surpresa em Williamsburg

Adoro pausas. Meus dias são cheios delas. Pra um cafezinho, pra um chá, pra um pão na chapa com café com leite. Momentos que, muitas vezes, não vão além de breves cinco minutos. O suficiente pra dar um “reboot”. Parece que não, mas faz uma tremenda diferença em qualquer rotina. Com as minhas viagens não é diferente. Aonde quer que eu vá, gosto de andar, andar muito, de olhos bem abertos, pra sentir o lugar. Mas as longas caminhadas são sempre repletas de parênteses. Em alguns deles, às vezes, encontro boas surpresas...

Foi assim com o Blue Bottle Coffee, no Brooklyn. Andando por Williamsburg, ele surgiu no meio da nossa rota, se oferecendo, convidando a entrar. O lindo imóvel, o apelo do balcão, o burburinho das pessoas, o cheiro de café... Não dava pra resistir. Entramos. E descobrimos um verdadeiro templo do café. Confesso que não sou uma grande apreciadora da bebida. De duas a três vezes por dia, costumo ir a seu encontro, mais pela paixão que tenho por rituais e por aquele apreço às pausas do que por qualquer outro motivo. E o Blue Bottle, além de ponto de encontro de apreciadores é um lugar que se presta a esse tipo de ritual como poucos.

A carta tem grãos orgânicos selecionados, blends especiais e surpresas como o café gelado ao estilo de New Orleans - que me arrependi de não ter experimentado... Ainda, um drip bar que atrai todos os olhares. O maquinário, ao fundo, indica que eles mesmos torram e moem seus grãos. E a devoção ao artesanato e à qualidade do produto, ali, vai além do café. No melhor estilo locavore, deixam claro que o leite que usam é de uma fazenda em Upstate e que o chocolate é do vizinho de bairro Mast Brothers (que está longe de fazer chocolates que estejam entre os meus favoritos, mas tem todo meu respeito pela bela proposta de trabalho). Eis a receita do seu sucesso.

Como se não bastasse, um balcão com sugestivas companhias pro café que você escolher. Fomos de s’mores e um incrível sablé de óleo de oliva, pra acompanhar um espresso e um coado. Ficamos ali por uns minutos, saboreando a atmosfera daquele lugar, e saímos felizes feito crianças com a deliciosa descoberta...

Dias depois, li uma notinha na Food & Wine, recém chegada às bancas, e vi que se tratava da primeira sucursal na costa leste de uma aclamada companhia de Oakland, que virou rede de sucesso em São Francisco e tinha acabado de abrir as portas no Brooklyn dois meses antes. Minha primeira reação foi pensar que meu radar estava funcionando bem. A segunda foi me dar conta de que minha pesquisa é que não estava tão boa assim e me deixou escapar a novidade. Quer saber? Pode até ser que a sensação de “descoberta” tenha sido apenas fruto da negligência da pesquisa de campo... Só sei que foi muito mais gostoso chegar lá pelas minhas pernas do que guiada por qualquer revista ou jornal.

 

Blue Bottle Coffee – 160 Berry Street – Williamsburg
http://www.bluebottlecoffee.net/

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