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Segunda, 10 Outubro 2016

Dufte Padaria Alemã: mais uma boa descoberta na Junta Local

Dufte Padaria Alemã

Ao passar pela banca da Dufte Padaria Alemã numa das últimas edições da feira Junta Local, não houve como não notar os lindos bolos expostos: um de queijo, outro de maçã. Tive vontade de provar os dois, mas, àquela altura, nada mais cabia na bolsa que eu levava.

Guardei o nome do produtor, procurei nas redes sociais, entrei em contato por e-mail. Soube que não tem endereço aberto ao público, mas aceita encomendas. Fiz algumas nas semanas seguintes, a fim de satisfazer a curiosidade que me consumia desde então. 

Pelo que experimentei, eu diria que a linha de confeitaria me entusiasmou mais que seu trabalho de panificação. Talvez porque o Rio de Janeiro já tenha evoluído mais nesse último quesito do que no primeiro. Se recentemente a cidade passou a contar com padeiros de primeira grandeza, quando o assunto é confeitaria, não temos tido a mesma a sorte. São raros os endereços a nos salvar da infâmia.

Resta aos inquietos buscar caminhos menos óbvios, como os que me levaram à Dufte.

Seus berliners – sonhos, para os íntimos – são gostosos, mais delicados do que os que costumamos encontrar por aqui. Optei pela versão sem recheio e providenciei o acompanhamento: geleia de morango com amora, feita em casa.

Dufte Padaria Alemã

Dufte Padaria Alemã

Encomendei também os dois bolos que me desconcertaram naquele primeiro encontro, semanas antes: käsekuchen, bolo alemão feito com queijo quark, mais aerado, menos denso que o cheesecake americano, e apfelkuchen, bolo de maçã, leve e perfumado. Ambos equilibrados, sem exagero de açúcar. Deliciosos.

Dufte Padaria Alemã

Dufte Padaria Alemã

Trabalhos como esse nos provam que as respostas estão por aí, à espera de que as desvendemos. Se as vitrines que povoam os logradouros públicos, mesmo os supostamente mais privilegiados, nem sempre nos dão o que merecemos, há em nosso socorro as redes sociais e as iniciativas de gente inconformista como a turma da Junta Local. Basta manter os olhos bem abertos.

 

Dufte Padaria Alemãhttps://www.facebook.com/Dufte-Padaria-Alem%C3%A3-1660241080887286/

duftepadaria@gmail.com

Quinta, 04 Agosto 2016

The Slow Bakery, o café

The Slow Bakery

Já falei algumas vezes sobre a The Slow Bakery neste blog. A última delas foi num post publicado em março, quando a padaria havia acabado de ganhar endereço aberto ao público, com um café anexo à área de produção. Já fazia quase um ano que seus maravilhosos pães frequentavam minha mesa, mas sobre o café ainda era cedo pra opinar. Hoje, quatro meses e muitas visitas depois, não só posso, mas devo fazê-lo.

Trata-se de um dos lugares que mais tenho frequentado no Rio. As razões pra isso não são poucas. Algumas são objetivas, como a qualidade dos pães e de tudo mais que se serve ali. Outras, bastante subjetivas, como a admiração e o respeito que tenho pela dupla que comanda o espaço, Rafael e Ludmila, e minha afinidade com sua visão do mundo das comidas. É gente competente e séria, que não busca fama e status, mas realização. O sucesso é consequência.

The Slow Bakery

Lembro bem o dia em que essa admiração ultrapassou os pães e chegou às pessoas por trás dos fornos. Numa das edições da feira Junta Local no ano passado, fui à banca da padaria pra me abastecer e acabei engrenando uma conversa com Ludmila. Comentei que já era cliente na venda on-line fazia alguns meses e ela então perguntou meu nome. Quando respondi, ela dirigiu-se ao parceiro e disse: “Rafa, você não vai acreditar, essa é a Constance”. Das primeiras palavras dele não me recordo, pois, àquela altura, a timidez embotava minha compreensão. Mas consegui recuperá-la a tempo de ouvir o mais importante: “Olha, foi lendo seu blog que descobri os incríveis pães da Flávia Maculan. Pensei: ‘esse é o pão que eu quero fazer’. Entrei em contato com ela, que me recebeu em São Paulo, foi muito bacana.”

Naquele momento, entendi que tão grandes quanto os pães da The Slow Bakery são as pessoas que a comandam. Só os grandes são capazes de tamanha humildade. Essa impressão é reforçada em mim a cada visita desde que o café foi inaugurado. Além de comer bem, sempre aproveito pra observar o movimento da cozinha e trocar dois dedos de prosa com o casal.

The Slow Bakery

Digo tudo isso pra que fique claro pro leitor que não são meramente objetivos os motivos que me munem de paciência pra enfrentar as filas de espera e as falhas que ainda há no serviço – que ficam bastante evidentes nos horários de pico. Mas quem se dispuser a ir em frente, há de encontrar compensações. Compartilho aqui algumas delas.

No café da manhã, não abro mão do pão dourado na chapa e do ótimo pingado, que elevam o clássico de nossos desjejuns a outro patamar. Nos dias em que a fome é maior, vou além e acrescento ao pedido uma panelinha de ovo.

The Slow Bakery

The Slow Bakery

Os sanduíches da casa são deliciosos. Ostentam virtude rara nas mesas cariocas, a de unir excelentes pães a ingredientes igualmente excelentes nos recheios. No misto-quente, brilha o sabor do queijo meia cura da Mantiqueira, que reaparece no queijo-quente, onde ganha a companhia de um naco de parmesão da Mantiqueira. No Croque do Padeiro, ressurgem estes mesmos queijos: um no recheio, ao lado de presunto e delicado bechamel; o outro, gratinado, na finalização. Já o Italianinho traz mortadela, mostarda e rúcula entre duas fatias de uma tremenda focaccia.  

The Slow Bakery

The Slow Bakery

The Slow Bakery

Além do que já está no cardápio, há boas promessas de novidades. Tenho visto receitas sendo testadas, como os bolos feitos com fermento natural, em cujo aperfeiçoamento a equipe ainda está trabalhando. Ou o ótimo brioche, resultado de 48 horas de fermentação, que tive a chance de experimentar antes de ser colocado à venda.  O brioche, aliás, é base da mais nova criação em teste, que prestará homenagem a um ícone das lanchonetes cariocas, o joelho, tão negligenciado nos balcões da cidade.

The Slow Bakery

Por todas essas razões, sigo voltando a este belo lugar com que Ludmila e Rafael nos presentearam. Num cenário onde o sucesso é cada vez mais perseguido como fim em si mesmo, e não necessariamente resultado de trabalho e dedicação, é um alento contar com um mais um endereço onde há comida de verdade feita por gente de verdade, não por personagens.

The Slow Bakery – Rua São João Batista 93 – Botafogo

http://www.theslowbakery.com.br/

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