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Quarta, 01 Abril 2015

Junta Local

Junta Local

Ainda não era meio-dia quando cheguei à penúltima edição da feira de comida Junta Local e já havia na Casa da Glória mais gente do que minha fobia de multidões me permite suportar. Pensei em ir embora. Felizmente, reconsiderei. Não consegui alcançar todos os pontos – era um mar de gente a vencer –, mas muito do que vi me pareceu interessante. Nem todas as bancas por onde passei ostentavam a mesma qualidade, mas havia muita coisa boa.

A Junta acontece periodicamente em diferentes endereços do Rio de Janeiro e tem por propósito conectar consumidores e produtores artesanais. Mais do que vender comida, seu grande mérito é o de dar espaço a profissionais que não contam com as vitrines de uma loja ou as bancadas de um restaurante na divulgação de seu trabalho. Se, por um lado, a feira proporciona a essas pessoas a oportunidade de mostrar ao público sua produção, por outro, o consumidor que sai da zona de conforto e vai até lá disposto a buscar novos caminhos pode ter boas surpresas.

Junta Local

No pouco tempo em que circulei ali, conheci ao menos dois produtores que, desde então, têm feito diferença em minha mesa.

Na padaria The Slow Bakery – que não tem loja física, mas faz entregas semanais através de encomendas em seu website –, encontrei ótimos pães de fermentação natural. Tenho encomendado toda semana e o padrão do que experimentei até agora é consideravelmente superior ao que costumamos encontrar nas prateleiras das boulangeries cariocas.

The Slow Bakery

The Slow Bakery

O Atelier des Saveurs, do pâtissier Jeff Mauget, foi outra boa descoberta. Jeff mantém uma confeitaria on-line e faz entregas semanalmente. Em minha visita à feira, experimentei um bom financier de pistache com chocolate e deliciosas chouquettes. Na semana seguinte,encomendei uma tarte bourdaloue (peras e creme de amêndoas). Massa crocante, recheio delicado, açúcar na medida. Uma delícia. Não me recordo de ter encontrado exemplar melhor por aqui.

Atelier des Saveurs

Atelier des Saveurs

São pequenos, mas imensos exemplos a confirmar que o grande valor de iniciativas como a da Junta Local está em expandir as fronteiras da cidade e tirar da obscuridade artesãos que não dispõem de uma calçada ou um corredor de shopping a facilitar seu acesso ao consumidor.

 

Junta Local - http://www.juntalocal.com/

The Slow Bakery - http://www.theslowbakery.com.br/

Atelier des Saveurs - http://www.atelierdessaveurs.com.br/

 

Quarta, 07 Janeiro 2015

Ferro e Farinha: um nova-iorquino disposto a fazer diferença no cenário das pizzarias cariocas

Ferro e Farinha

Quando comecei a acompanhar a Ferro e Farinha nas redes sociais, há pouco mais de um mês, a casa tinha acabado de abrir as portas no Catete. O nova-iorquino Sei Shiroma se instalou no bairro depois de circular pelo Rio de Janeiro durante um ano, produzindo pizzas num forno improvisado num caminhão.

O novo endereço resume-se em um diminuto balcão com cerca de dez lugares, aos quais se somam duas mesas na calçada. O cardápio manuscrito apresenta uma pequena seleção de pizzas (servidas sem talheres, pra comer com as mãos) e outra ainda menor de bebidas. Muitos talvez não ousassem chamar de pizzaria o acanhado espaço, onde o improviso ainda prevalece. Mas devo dizer que ali comi alguns dos melhores exemplares que experimentei na cidade nos últimos tempos.  

Ferro e Farinha

Ferro e Farinha

A massa, de fermentação natural, é excelente. Bom molho de tomate surge em coberturas dotadas de leveza e equilíbrio. Antítese do exagero de queijo e do excesso de ingredientes que dão o tom em grande parte das pizzarias no Rio. Experimentei três das quatro opções oferecidas na noite em que estive ali. Domenico, feita com fior di latte, grana padano, manjericão e azeite. Rouge, que trazia abobrinha, berinjela, alho e grana padano. Adobo Verde, que tinha na cobertura couve marinada em shoyu e gengibre, na companhia de alho e mel picante.

Ferro e Farinha

Ferro e Farinha

Ferro e Farinha

Em dois dedos de prosa com Sei, comentei que o espírito e a proposta do lugar, de algum modo, me remeteram ao Roberta’s, de onde guardo a lembrança de uma deliciosa refeição, como contei aqui recentemente. Um sorriso se abriu no rosto do nova-iorquino, que falou de sua admiração pela casa do chef Carlo Mirarchi no Brooklyn, e da grande influência que exerce sobre seu trabalho. Me disse, inclusive, que pretende inserir no cardápio da Ferro e Farinha , ao lado das pizzas, uma seção intitulada “Da Feira”, à semelhança do que faz Mirarchi no Roberta’s: pequenos pratos produzidos com o que houver de mais fresco no dia.

Coragem, talento e boas referências podem levar longe o rapaz e sua equipe (por ora, apenas mais duas pessoas). Considerando o espaço diminuto, a parca estrutura e, suponho, o pouco capital disponível pra injetar no negócio, é admirável a qualidade do que estão fazendo ali. Imagino o que seriam capazes de fazer com instalações mais adequadas e condição de investir em matéria-prima ainda melhor do a que têm hoje à disposição.

 

Ferro e Farinha – Rua Andrade Pertence 42 D – Catete

https://www.facebook.com/FerroEFarinha

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