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Segunda, 25 Março 2013

Bubble Bar: encontrei meu lugar no Bazzar

Bazzar Bubble Bar

Há alguns anos frequento o Bazzar. Admiro a proprietária, a restauratrice Cristiana Beltrão, que, inteligente, viajada e sempre em dia com o que acontece nas mesas do mundo, conferiu à casa muito da sua personalidade. O ambiente do restaurante, de bom gosto indiscutível, se é cosmopolita, tem ao mesmo tempo DNA carioca. O cardápio, se não apresenta pratos inspirados ou propriamente originais, tem o mérito de reuni-los num balaio onde confluem várias vertentes e, ainda assim, contextualizá-los na proposta de privilegiar ingredientes e produtos brasileiros – sempre que possível, locais.

A questão é que embora sempre tenha tido ali refeições agradáveis, nunca chegaram a empolgar.  Em boa parte das visitas, saí com a impressão de que o caráter que a dona conferiu à casa não encontrava justa resposta na cozinha. Jamais comi mal, mas, muitas vezes, os pratos escolhidos me pareceram melhores no cardápio do que à mesa. Pois a recente reforma que deu ao Bazzar um belo balcão, de alguma forma, mudou minha relação com o restaurante.

Bazzar Bubble Bar

Batizado de Bubble Bar, o novo espaço oferece boa gama de champagnes e outros espumantes, além de uma seleção de jerez e cervejas artesanais, servidos em taça – prática rara nestas paragens, digna de aplausos mesmo – e conta com um cardápio não só mais enxuto, mas mais interessante e atual. Enxergo ali um bem-vindo sopro de renovação.

Apesar de confortável e elegante, o Bubble Bar não foge à característica dos balcões, que vejo como uma espécie de arquitetura da despretensão. Afinal, não comportam, nem fisicamente, metade dos rituais que tantas vezes engessam uma refeição e roubam-lhe parte do prazer. Portanto, além de nele descobrir o melhor ângulo da casa, me senti mais à vontade pra adotar uma prática que desconfiava fazer todo sentido ali: dispensada das amarras de uma refeição mais formal, pude me dedicar inteiramente às entradas, que sempre me pareceram melhores que os pratos principais e as sobremesas.

Bazzar Bubble Bar

Foi o que fiz nas últimas três visitas. Acomodada no balcão, me concentrei nos pequenos bocados e porções pra compartilhar na seleção idealizada pro novo espaço, recorrendo eventualmente a algumas predileções do cardápio do restaurante (pelo que entendi, os dois cardápios se comunicam em todo o salão).

Tenho revisitado velhos favoritos, como o escabeche de mexilhões com laranja ou o indispensável caldinho de feijoada, coroado com farofa de focaccia e crocante de couve.    

Bazzar Bubble Bar

Bazzar Bubble Bar

E venho encontrando boas novidades. Como a delicadeza do feijão manteiga de Santarém com tomates e vinagrete de caju.

Bazzar Bubble Bar

O sanduíche de pulled pork, que, pra mim, seria perfeito se o chutney de abacaxi fosse um pouquinho menos doce – e se dispensasse a companhia das batatas fritas industrializadas, que acho que não encontram lugar dentro da filosofia e do conceito da casa.

Bazzar Bubble Bar

A terrine de queijo de cabra com três pestos – beterraba, azeitona e pistache com manjericão.

Bazzar Bubble Bar

As gostosas sardinhas com alho e mini legumes confits.

Bazzar Bubble Bar  Bazzar Bubble Bar

Desde então, tenho saído mais feliz do que costumava sair dali. Descobri que uma simples mudança de ângulo pode transformar nossa relação com um restaurante. Como muito do que se passa na vida, é tudo uma questão de perspectiva. E talvez seja até mais que isso. Desconfio que Cristiana Beltrão trouxe à tona, na nova faceta do Bazzar, algo melhor que o próprio Bazzar.

 

Bazzar Bubble Bar – Rua Barão da Torre 538 – Ipanema

http://www.bazzar.com.br/

 

Terça, 05 Março 2013

A nova filial do Pobre Juan no Village Mall

Pobre Juan Village Mall

Ao entrar na nova filial carioca da rede paulista Pobre Juan, inaugurada no Village Mall há pouco mais de um mês, minha primeira sensação foi de certo estranhamento. Os excessos na decoração e a estranha trilha sonora criam uma ambientação capaz de nos distrair do que seria a inspiração da casa: as autênticas parrillas argentinas. De lado esses detalhes, o que me interessava, de fato, era o que viria à mesa. Adianto que o que se seguiu foi um almoço de altos e baixos, que eu resumiria assim: entradas fracas, boas carnes, sobremesas ruins.

 Começamos com empanadas de carne. Massa inexpressiva, recheio seco. Seguimos com um chorizo que não chegava a ser bom.

Pobre Juan Village Mall  Pobre Juan Village Mall

Pobre Juan Village Mall

 Subimos muitos degraus com a chegada dos principais. Naquilo que é, afinal, seu foco, a casa se saiu melhor. Carnes bem executadas, sendo que o corte batizado Pobre Juan (capa do contrafilé), suculento e saboroso, estava ainda melhor que o assado de tira. As batatas soufflées que as acompanhavam eram sequinhas, crocantes, impecáveis.

Pobre Juan Village Mall

Pobre Juan Village Mall

 Na etapa final do almoço, a coisa foi ladeira abaixo. Obviamente, não é o tipo de lugar de onde se deva esperar algo especial no quesito sobremesas. Nem é essa a proposta. Mas podiam ser, ao menos, corretas. Não foi o caso. No mil folhas de doce de leite, a massa industrializada me pareceu assada sem muito zelo e o acréscimo de nutella (onde já havia doce de leite) deixava tudo excessivamente doce. Insistimos num segundo pedido, que nos pareceu menos arriscado: churros. Engano. Massudos demais, desistimos na primeira bocada.

Pobre Juan Village Mall  Pobre Juan Village Mall

 Nada de definitivo pode ser dito sobre um restaurante com base em uma ida apenas. Mas, quando penso que é de mais de uma semana a espera pra se conseguir uma reserva na casa, me pergunto se o público carioca não está criando expectativas erradas a respeito do Pobre Juan.

 

Pobre Juan – Avenida das Américas 3.900 – Shopping Village Mall (3º piso) – Barra da Tijuca

http://www.pobrejuan.com.br

 

 

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